Brasília, 15 de novembro de 2018 - 13h51

Colômbia-Venezuela: a inteligente jogada de Uribe

11 de agosto de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



No dia 22, a Colômbia apresentou na Organização dos Estados Americanos (OEA), farta documentação denunciando a presença em território venezuelano de 1.500 guerrilheiros e 87 acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN).



Hugo Chávez reagiu com o rompimento das relações diplomáticas com o país vizinho.



Para muitos analistas colombianos e estrangeiros, incluindo brasileiros, Álvaro Uribe despejou as denúncias dias antes de deixar a presidência com o propósito de criar problemas para o sucessor Juan Manuel Santos, seu ex-ministro da Defesa.



Desgostoso com uma série de nomeações no futuro governo, Uribe teria aproveitado o momento em que Santos dava sinais de uma possível reaproximação com a Venezuela, para melar de vez as relações com a Venezuela.



Mas não é bem assim.



As denúncias não trazem fatos novos.



De uma forma ou outra, sempre se suspeitou da presença guerrilheira na Venezuela.



Líderes das Farc já se reuniram com Chávez no Palácio de Miraflores, como Rodrigo Granda e Iván Márquez.



As denúncias na verdade, ajudam o presidente colombiano que assumiu no sábado, 7.



Nos últimos cinco anos, Álvaro Uribe teve uma série de problemas com Chávez.



Seu gesto livrou Santos de fazê-lo.



O novo presidente pôde então iniciar sua gestão chamando Hugo Chávez para o entendimento.



Juan Manuel Santos era o ministro da Defesa da Colômbia quando Uribe autorizou o bombardeio à Angostura, no Equador, matando mais de 20 guerrilheiros das Farc, entre eles, Raúl Reyes, o então número dois da organização.



Corre na Justiça equatoriana processo contra Santos e os militares que participaram da Operação.



Chegou-se a especular que uma ordem de captura contra o agora presidente da Colômbia, seria emitido no Equador.



Santos não apenas tinha conhecimento das denúncias levadas à OEA como não se opôs a que fossem tornadas públicas.



A denúncia coloca Hugo Chávez nas cordas, como se diz no boxe.



Encurralado, o presidente da Venezuela se vê obrigado a dirigir-se às Farc a quem aconselhou abandonar a luta armada e libertar os seqüestrados.



Nesta terça-feira, no primeiro encontro cara-a-cara com o presidente colombiano, Chávez deu garantias que não tolerará a presença guerrilheira em seu país.



Embora as evidências sejam muito claras, ele terá de esforçar-se para que as Farc e o ELN abandonem a Venezuela como estão fazendo no Equador.



Santos é quem dá as cartas neste momento.



Além disso, ao buscar o entendimento, ele inibe a possibilidade de Chávez utilizar a Colômbia como cortina de fumaça para lidar com os problemas internos cada dia mais graves.



É cedo para avaliar o futuro das relações Colômbia – Venezuela, principalmente porque os temas que geraram as tensões mais sérias – uso de bases militares colombianas por militares norte-americanos e a presença guerrilheira na Venezuela – não foram discutidos.



Taticamente, os presidentes preferiram deixar esses assuntos no passado para começar do zero.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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