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12/12/2014
Colômbia
14/12/2014

Polêmica

Colombianos saem às ruas contra processo de paz com impunidade

Marcelo Rech, especial de Medellín, Colômbia

Pelo menos 40 mil colombianos marcharam neste sábado em várias cidades colombianas contra o processo de paz levado a cabo no país há mais de dois anos, temendo que não haja punição para os terroristas das FARC. Em Medellín, a marcha foi liderada pelo senador e ex-presidente Álvaro Uribe Vélez e apesar da chuva e do frio, as principais avenidas da cidade foram tomadas.

As marchas foram organizadas pelo movimento Somos Capazes e adotou o lema “Paz Sem Impunidade”. O Centro Democrático, partido de Uribe, somou-se às marchas por considerar que o atual processo de paz conduzido desde Cuba, não terminará por punir os terroristas.

Para Uribe, “um processo que implica oferecer impunidade às FARC só servirá para mais violência”. Apenas em Medellín, cerca de 12 mil pessoas foram às ruas. O ex-presidente também apelou ao governo e aos colombianos para que não se esqueçam daqueles que perderam a vida combatendo as FARC, militares das Forças Armadas e policiais.

De acordo com vários manifestantes, o governo deve rever o processo que conduz com as FARC e impor condições claras de que haverá punição àqueles que cometeram assassinatos e praticaram atentados de toda ordem.

Os manifestantes querem paz sem impunidade, a entrega das armas, que não haja de forma alguma entrega de território às FARC ou ao que restar dela seja com o nome que for, e penas duras para aqueles que cometeram crimes de lesa humanidade.

O InfoRel conversou com a organizadora da marcha em Medellín, Carolina Osório Leal que integra o movimento Colômbia Quer. Sem esconder a surpresa com a quantidade de cidadãos que saíram às ruas na cidade e em várias partes do país, ela afirmou que “este processo de paz precisa ser mudado. Não queremos que seja abandonado, mas precisa mudar. As pessoas nas ruas vieram dizer isso. Temos que impor condições e a cada três meses, vamos marchar até que nossas vozes sejam ouvidas”, assegurou.

Segundo ela, “o governo precisa entender que queremos a paz, mas não a qualquer custo e não aceitamos acordo algum que implique em impunidade para os terroristas”.

Os manifestantes também lembraram aqueles que caíram em combate contra as FARC. O advogado Jaime Restrepo, da Associação de Vítimas das FARC, expressou sua solidariedade com os militares. “Eles foram as primeiras vítimas do conflito armado. Nós exigimos Justiça para as vítimas das FARC, ELN e EPL”.

Ao final da marcha, o senador Álvaro Uribe disse ao InfoRel que “esta marcha mostra de forma clara e contundente que os colombianos estão preocupados com a violência crescente, a oferta do governo de uma paz com impunidade ao terrorismo, a forma como o governo trata nossos militares das Forças Armadas e da Polícia Nacional. É também uma marcha para chamar a atenção do governo para que a economia colombiana não seja entregue no futuro aos terroristas das FARC”.

A marcha contra a impunidade foi realizada também na capital, Bogotá, Barranquilla e Cali, entre outras cidades médias e pequenas do país.

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