Brasília, 20 de abril de 2019 - 18h23
Colombianos temem volta do conflito se EUA intervirem na Venezuela

Colombianos temem volta do conflito se EUA intervirem na Venezuela

31 de março de 2019 - 17:53:13
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Marcelo Rech, especial de Madri

Os colombianos temem a volta do conflito interno com as guerrilhas das FARC caso os Estados Unidos decidam intervir militarmente na Venezuela. O aumento das tensões entre Washington e Caracas tem levado muitos colombianos a deixarem o país com este temor. Na Espanha, por exemplo, os colombianos já são a segunda nacionalidade que mais pede asilo político.

Em termos gerais, eles formam a quarta comunidade estrangeira na Espanha com 50 mil pessoas, acima dos venezuelanos, que chegam a 43 mil. A avaliação é que os acordos de paz firmados durante o governo de Juan Manuel Santos, com as FARC, não são sólidos o suficiente e que a guerrilha, através do que chamam de dissidência, tem capacidade para reagrupar-se rapidamente.

Uma intervenção militar na Venezuela, país que sempre lhes deu refúgio, logística e apoio econômico, seria a desculpa que os líderes da guerrilha buscam para voltar à luta armada. Esses líderes entendem que Iván Duque, o presidente colombiano, estaria fazendo de tudo para anular os acordos.

O forte alinhamento de Duque com os Estados Unidos, a retirada da Colômbia da UNASUL e sua dura oposição ao regime de Nicolás Maduro, seriam alguns dos indícios concretos deste caminho. O presidente colombiano nunca escondeu sua rejeição aos acordos de paz com a guerrilha.

Processo de paz

Além disso, ganha cada vez mais força a resistência interna à Justiça Especial para a Paz (JEP), que, segundo a embaixadora da Colômbia na Suíça, Sofía Gaviria, “só serve de manto para encobrir os crimes das FARC, um instrumento para ocultar a verdade e um obstáculo criado para driblar o Tribunal Penal Internacional”, explicou.

Pelos acordos firmados durante as negociações de Havana, Cuba, a Justiça Especial para a Paz oferece penas alternativas à prisão àqueles que confessem seus crimes. Quem não confessar, poderá pegar até 20 anos de cadeia.

Vergara afirmou ainda que na Colômbia existem 9 milhões de vítimas das FARC em um conflito que durou 53 anos. Deste total, 90% são pessoas extremamente pobres que passaram por todo tipo de terror nas mãos da guerrilha.

Sofía Vergara explicou ainda que irá trabalhar para que todo o recurso a ser doado pelos países europeus para o processo de paz, não chegue às FARC. Apenas a Suíça irá doar US$ 70 milhões.