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Colorados retomam o poder e Paraguai espera sair do isolamento político

Marcelo Rech, especial de Assunção

O Paraguai elegeu neste domingo, 21, seu 49º presidente da República. Com mais de um milhão de votos, Horácio Cartes, do Partido Colorado recebeu 45,8% dos votos. Cartes nunca havia votado antes e esta foi sua primeira eleição. O principal desafio é combater a pobreza e tirar o país do isolamento político.

Cristina Kirchner, da Argentina; José Mújica, do Uruguai, e Juan Manuel Santos, da Colômbia, foram os primeiros a saudar a vitória do candidato conservador. Ele espera poder falar ainda nesta segunda-feira, 22, com a presidente Dilma Rousseff.

As eleições foram tranquilas com uma e outra denúncia de favorecimento, mas nenhum dos candidatos derrotados questionou o resultado. O ex-presidente Fernando Lugo, destituído em junho passado, foi eleito senador.

Multimilionário e dono de 26 empresas, Horácio Cartes estreou na política acusado de vínculos com o narcotráfico e o crime organizado. Ele já foi investigado inclusive no Brasil e chegou a cumprir sete meses de prisão.

O presidente chega com maioria na Câmara. O Partido Colorado obteve 41 das 80 cadeiras. No Senado, foram eleitos 19 e ele terá de negociar para obter a maioria dos 45 votos. Ao que tudo indica, não terá dificuldades para governar.

Do total de 3,5 milhões de eleitores, 32% não compareceram às urnas. Apesar do voto ser obrigatório, não há punição para os faltantes. O comparecimento de 68% dos eleitores foi considerado alto, mas chamou a atenção o número expressivo de jovens que preferiram não votar.

Desafios

No discurso da vitória, Cartes afirmou que terá cinco anos – não há reeleição no Paraguai e um presidente não pode mais concorrer ao cargo em hipótese alguma – para transformar o país e deixou claro que se os índices de pobreza estiverem nos mesmos patamares de hoje, o seu governo terá sido um fracasso.

Analistas, políticos e empresários garantem que o principal desafio de Horácio Cartes será negociar bons acordos com Brasil e Argentina por Itaipu e Yacyretá. Os acordos atuais, segundo os paraguaios, mantém o país como um “prisioneiro geopolítico” dos sócios mais ricos e fortes do bloco.

Além disso, Cartes terá de ser hábil para retirar o país do isolamento político após a suspensão do Mercosul e Unasul em 2012. Para tanto, os paraguaios não abrem mão de votar o Tratado de Adesão da Venezuela ao bloco – a sua entrada não é reconhecida pelo Paraguai – e de derrubar a medida que torna o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, persona no grata no país.

O presidente eleito assume em 15 de agosto e a previsão é que busque uma aproximação com Brasil e Argentina para tratar desses temas. Em Assunção, espera-se que Cartes siga o exemplo do boliviano Evo Morales que teve coragem de tomar uma refinaria da Petrobras para exigir do Brasil um tratamento melhor e mais dinheiro pelo gás importado.

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