Brasília, 17 de agosto de 2019 - 15h27

Embaixada do Brasil permanece em Tel Aviv e palestinos "protestam"

01 de abril de 2019 - 04:44:06
por: Marcelo Rech
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Embaixada do Brasil permanece em Tel Aviv e palestinos

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, chamou para consultas o Embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben. Na linguagem diplomática, significa dizer que ele não gostou nada do anúncio feito em Israel, pelo presidente Jair Bolsonaro, de abrir um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.

No entanto, o desagrado palestino parece ser mais uma encenação. No íntimo, estão comemorando a decisão, pois um escritório de negócios não pode ser comparado à uma legação diplomática. Os palestinos sabem a quem dar o crédito pela decisão: os militares, a começar pelo vice Hamilton Mourão.

Mercado árabe

Mercado árabe

Confrontado pelos números, Jair Bolsonaro teve de rever sua decisão tomada ainda na campanha eleitoral. Os árabes importam US$ 5 bilhões em proteína animal do Brasil. O risco de perder este mercado é tão grande quanto o apoio de setores poderosos do agronegócio brasileiro, um dos setores que levou o presidente à vitória nas urnas em outubro passado.

Equação venezuelana

Equação venezuelana

O presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó, sabe que a derrocada do regime chavista de Nicolás Maduro passa pelo crivo de Pequim e Moscou. Sabe também que os Estados Unidos que o apoiam e arregimentam respaldo internacional ao seu nome, apresentarão a fatura tão logo seja conveniente.

O controle do petróleo venezuelano está no topo da equação. Tanto China como Rússia não aceitarão que Washington tome conta do setor, como faz no Iraque, por exemplo. Além disso, a Venezuela deve US$ 17 bilhões à China e outros US$ 6 bilhões à Rússia.

Base Militar russa em Cuba

Base Militar russa em Cuba

Os governos de esquerda na América Latina são velozes na hora de demonizar a presença norte-americana na região, mas escondem como poucos a presença de forças estrangeiras em seus territórios. É o caso de Cuba que retomou com a Rússia, as negociações para o uso da Base Militar de Lourdes, pelos militares russos.

A Rússia já ocupava a base que foi fechada em 2002 por conta das mudanças políticas no país. Em 2007, Vladimir Putin retoma o diálogo com Havana.

Para o líder russo, o Ocidente e a OTAN são inimigos declarados. A Rússia chegou a ter três mil militares russos na Base de Lourdes, distante apenas 250 km da costa norte-americana. Deste total, 1,5 mil militares eram membros ativos do KGB e GRU.

A estação SIGINT de Lourdes foi inaugurda em 1962 e chegou a ser um dos maiores postos de escutas soviético do mundo.

Pragmatismo internacional

Pragmatismo internacional

Conclusão em Madri sobre a presença de potências extrarregionais na América Latina:

- A Rússia quer aumentar sua influência na região, mas apenas 2,4% de tudo que exporta tem a América Latina como destino. Brasil e México são os principais parceiros comerciais de Moscou, mas não são seus aliados;

- Moscou e Pequim apostam muito na venda de armas para a região, mas os Estados Unidos seguem sendo os principais vendedores. A Rússia vem em segundo lugar e 73% de todo o armamento que vende para a América Latina tem como comprador a Venezuela (9% para o México e 8% para o Peru);

- Para a política russa, os interesses importam mais que a ideologia, e os interesses políticos primam sobre os econômicos;

- Já a China considera as relações com a América Latina importantes, mas não valem um enfretamento com os Estados Unidos.