Brasília, 15 de setembro de 2019 - 10h09

Foro para o Progresso da América do Sul

28 de agosto de 2019 - 09:39:37
por: Marcelo Rech
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Foro para o Progresso da América do Sul

No dia 25 de setembro, os chanceleres da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai e Peru, se reunirão em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU, para discutir o conteúdo do documento negociado em julho, sobre o funcionamento do Foro para o Progresso da América do Sul, o PROSUL, criado para substituir a UNASUL.

Um dos pontos mais relevantes da nova proposta diz respeito à Cláusula Democrática do PROSUL. O Chile propôs como pressuposto essencial para a participação no novo mecanismo a defesa do Estado de Direito, da Democracia representativa, de eleições livres, da separação de Poderes e dos direitos humanos.

Por sugestão brasileira, as regras contemplam regras que inclui mecanismo de consultas e coordenação de ações em caso de descumprimento. Desta forma, fica aprovada a suspensão de país membro que desrespeitar as normas democráticas. Outra importante novidade em relação à UNASUL: as decisões serão adotadas por maioria absoluta e não mais consenso, o que impedirá que países imponham vetos.

Também serão criados formalmente seis grupos de trabalho do PROSUL: infraestrutura (que inclui obras públicas, transportes e telecomunicações); energia; saúde; defesa; segurança e combate ao crime e desastres naturais.

Brasil – EUA

Brasil – EUA

Nos dias 13 e 14 de setembro, as diplomacias do Brasil e dos Estados Unidos se reunirão em Washington para dar prosseguimento às negociações em curso, firmar memorandos e revisar a agenda bilateral e regional. O escopo do encontro ainda não está fechado, mas o ministro Ernesto Araújo chefiará a missão da qual também participarão o Diretor do Departamento de Estados Unidos, do Itamaraty, Embaixador Benoni Belli, e o Embaixador Alessandro Candeas, Diretor do Departamento de Defesa do MRE.

Hezbollah isolado

Hezbollah isolado

Em julho, o governo argentino declarou o grupo libanês Hezbollah (Partido de Deus), uma organização terrorista. No dia 25 de agosto, foi a vez do Paraguai fazê-lo. Agora, a expectativa é pela posição do Brasil. Apesar das resistências internas, o presidente Jair Bolsonaro está fortemente inclinado a seguir esta linha. A ideia nascida em Israel e fortalecida em Washington é isolar cada vez mais a organização na América Latina.

A presença mais forte do grupo dá-se na Tríplice Fronteira Argentina, Brasil, Paraguai, mas há presença do Hezbollah também na Bolívia, Cuba e Nicarágua, além da Venezuela onde contam com apoio irrestrito do governo na figura do vice-presidente Tareck El Aissami.

No entanto, para os aparatos de Segurança, Defesa e Inteligência, do Brasil, a prioridade naquela região não são os libaneses, mas os brasileiros do PCC e do Comando Vermelho. Ocorre que, principalmente o PCC, já tem vínculos com o Hezbollah.

“Extorsão” brasileira

“Extorsão” brasileira

O ex-embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier Caballero, afirmou nesta terça-feira, 27, em depoimento ante uma comissão de investigação formada por deputados e senadores, que autoridades brasileiras pressionaram o Paraguai a aceitar a Ata de Itaipu. “Não sei se a palavra correta é extorsão. Eu me senti muito pressionado, não sei se foi extorsão, mas muito pressionado”, disse.

Caso o Paraguai não aceitasse as condições, o Brasil poderia dificultar a extradição dos paraguaios Juan Arrom e Anuncio Martí e congelar a importação de peças de automóveis daquele país. Caballero disse ainda que o ex-ministro de Relações Exteriores, Luis Castiglioni, não apenas sabia das condições como o felicitou por fechar o acordo em Brasília.