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Guerra no Paraguai

18 de dezembro de 2018 - 17:29:31
por: Marcelo Rech
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Guerra no Paraguai

O presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez, militar paraquedista como o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, tomou posse no dia 15 de agosto após eleger-se pelo Partido Colorado, sucedendo Horacio Cartes, do mesmo partido. No entanto, engana-se quem acha que se trata de uma conquista política vitoriosa. Os dois são inimigos ferrenhos.

Marito, como é conhecido o presidente, trava uma verdadeira guerra contra Cartes. Nas primárias do partido, ele superou o nome do então presidente, Efraín Alegre que era do Partido Liberal, atraído, segundo se conta no país vizinho, pelas somas ilimitadas do ex-presidente. Desde então, um trabalha para derrubar o outro.

No meio da disputa, o narcotráfico. Mário Abdo Benítez se esforça para ver Horacio Cartes enrolado na Justiça por conta de sua aliança com Dario Messer, doleiro e conhecido como “amigo de alma” do ex-presidente. Messer está foragido e é acusado de lavagem de dinheiro e associação criminal. Ele estaria no Paraguai protegido por Cartes.

Nesta sexta-feira, 21, o ex-presidente do Paraguai terá de comparecer ao Congresso para depor ante uma comissão mista de investigação. Caso não compareça, poderá ser preso.

Por outro lado, Marito enfrenta ataques por sua associação com o narco Reinaldo Javier Cabañas, conhecido como "Cucho”, preso em setembro. Em uma foto recente, Cucho e Marito aparecem juntos. Segundo o próprio presidente, os dois se viram em sua residência. No entanto, Mário Abdo Benítez assegura que não recebeu nenhum tipo de ajuda ou assistência do narco paraguaio e que não são amigos.

Por trás desse roteiro, está uma verdadeira guerra que exige a máxima atenção por parte das autoridades brasileiras. Mário Abdo Benítez aposta numa aliança forte com o Brasil no combate à criminalidade organizada, uma forma de apanhar Horacio Cartes e tirá-lo do caminho de uma vez. Cartes, por sua vez, como já assinalado, possui recursos ilimitados e não pensará duas vezes antes de utilizá-los para derrubar Marito.

Itaipu

Itaipu

Na sexta-feira, 21, Mário Abdo Benítez e Michel Temer se reúnem na sede da Usina Binacional de Itaipu. No encontro, irão tratar especificamente do início das obras para a construção de duas pontes entre os dois países: uma entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco e a outra entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. As obras, orçadas em US$ 75 milhões, serão financiadas pela Itaipu.

Mais Médicos

Mais Médicos

Cerca de 30 voos operados pela Cubana de Aviação já retiraram do Brasil a grande maioria dos mais de 8 mil médicos que serviam no país. Os custos da operação de evacuação não foram revelados, mas, de acordo com o contrato tripartite firmado com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o Brasil e Cuba, por razões de força maior (isto está no contrato), o acordo pode ser rompido unilateralmente.

Os cubanos não sabem quem custeou a gigantesca operação de evacuação dos seus médicos, mas asseguram que não foram eles. Deve ter sido o Brasil, uma vez que a OPAS atua apenas como intermediária. As missões médicas de Cuba estão presentes em 67 países, sendo que em 33 deles, os países que recebem os médicos não pagam pelos serviços.

Asilo

Asilo

Os números ainda não foram divulgados, mas o governo de Cuba comemora o retorno dos seus profissionais à Ilha. Havana entende que as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro não surtiram o efeito que se desejava: filas quilométricas de cubanos pedindo asilo no Brasil.

Apesar de reconhecerem que houve gente que preferiu ficar no Brasil em oposição ao regime, o governo de Cuba garante que a maioria dos que ficaram são jovens que não retornarão por razões econômicas e não políticas. Além deles, médicos que formaram famílias no Brasil também decidiram permanecer.

Agora, o governo cubano estaria reabrindo processos migratórios para o retorno de muitos dos que permaneceram no Brasil na expectativa de obterem asilo e trabalho. Sem uma coisa nem a outra, preferem voltar.