Brasília, 11 de agosto de 2020 - 00h53

Irlanda resiste em apoiar acordo MERCOSUL – União Europeia

22 de julho de 2020 - 15:09:52
por: Marcelo Rech
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Irlanda resiste em apoiar acordo MERCOSUL – União Europeia

No dia 9 de julho, o Ministério da Relações Exteriores, designou o diplomata Marcel Biato, como futuro Embaixador do Brasil na Irlanda. Ex-Embaixador do Brasil na Bolívia durante a crise que derrubou o ministro Antônio Patriota, Biato ocupa, atualmente, o cargo de representante do Brasil na Missão Permanente junto à Agência Internacional de Energia Atômica em Viena.

De acordo com a Embaixadora Eliana Zugaib, que está concluindo missão de três anos em Dublin, obter o apoio da Irlanda ao Tratado de Livre Comércio firmado entre o MERCOSUL e a União Europeia, não será tarefa fácil. Segundo ela, “há notória resistência, de segmentos importantes da elite política e econômica irlandesa, a acordos comerciais que possam impactar a agropecuária nacional. Na nova administração Fianna Fáil Fine Gael-Partido Verde, iniciada em fins de junho de 2020, não é demais supor que a posição oficial do governo poderá descair do atual apoio cauteloso para um questionamento mais frontal, tendo em vista os laços que ligam o Fianna Fáil aos produtores rurais e o ideário ambientalista do Partido Verde”, explica.

Além disso, a oposição irlandesa é liderada pelo partido republicano radical Sinn Féin, que apresentou moção simbólica contrária ao acordo MERCOSUL - UE, afinal aprovada pela câmara baixa irlandesa em julho de 2019.

O Brasil de olho na Política Externa da Argentina

O Brasil de olho na Política Externa da Argentina

Em breve, o Brasil deverá mudar o seu Embaixador em Buenos Aires. Sairá o atual, Sérgio Danese, e entrará Reinaldo Salgado, atual Secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia. A Argentina também tem novo Embaixador, Daniel Scioli, que foi vice-presidente na gestão de Nestor Kirchner.

De acordo com Danese, o início da gestão de Fernández foi marcado por um ensaio de recriação de um “eixo progressista" na América Latina, tendo o México e o "Grupo de Puebla" como pilares. Com esse objetivo, e ainda como presidente eleito, Fernández encontrou-se com López Obrador, na Cidade do México, e inaugurou encontro do "Grupo de Puebla" em Buenos Aires.

Mais recentemente, no contexto da crise gerada pela pandemia de coronavírus, Fernández voltou a participar, de forma virtual, de encontros do grupo, consolidando-se como sua figura de maior relevância em termos contextuais (é o único mandatário em exercício no grupo).

“Na vertente pragmática, um dos objetivos iniciais de Fernández foi enviar sinais de distensão a países que mantiveram relações conflituosas com o kirchnerismo. Com Israel, por exemplo, o mandatário arrefeceu tensões ao escolher Jerusalém como destino de sua primeira visita bilateral. Em outra frente, costurou uma turnê europeia que lhe permitiu obter o endosso retórico de líderes de Itália, Alemanha, Espanha e França, além do papa Francisco, ao complexo processo de renegociação da dívida argentina contraída junto ao FMI”, destaca o diplomata.

Já no relacionamento com os Estados Unidos, gestos como a decisão de manter a Argentina no Grupo de Lima foram recebidos positivamente por Washington. “Atos subsequentes, entretanto, como a presença de ministro do governo ilegítimo de Nicolás Maduro na cerimônia de posse de Fernández, o descredenciamento da embaixadora do governo interino de Juan Guaidó em Buenos Aires e a concessão de asilo ao ex-presidente Evo Morales afetaram as relações bilaterais, ora em compasso de espera”, observa Danese.

Na sua avaliação, a sensível mudança da agenda externa da Argentina sob Alberto Fernández provocou, com o governo brasileiro, dissintonias cujo alcance ainda não está definido em razão das incertezas e mudanças de foco e prioridades trazidos pela crise do COVID-19.

Brasil é pressionado para aumentar presença na costa ocidental africana

Brasil é pressionado para aumentar presença na costa ocidental africana

A Embaixada do Brasil em Cabo Verde, através da adidância de defesa e naval tem recebido manifestações informais de interesse de autoridades civis e militares locais e dos representantes dos membros da OTAN para uma maior ação presencial junto à costa ocidental africana.

Nesse sentido, segundo o atual Embaixador brasileiro em Praia, José Carlos de Araújo Leitão, eventuais tratativas e processos decisórios concernentes a incremento da participação cooperativa e presencial brasileira no âmbito da "Arquitetura de Iaundê", particularmente em sua Zona G, estariam de fato embasadas, em tese, em recorte cabo-verdiano favorável, em face da proximidade e posição geoestratégica em relação ao Brasil; dinâmica de considerável porção do tráfego marítimo brasileiro; da rota marítima comum de ilícitos como tráfico de drogas e pesca ilegal; baixa incidência de crimes praticados por grupos armados nas águas jurisdicionais cabo-verdianas; estabilidade política e segurança urbana; pleno apoio logístico local para meios navais e aéreos; presença da Guiné-Bissau na Zona G e, ao sul, de outros membros da CPLP; e sólida cooperação militar-naval existente na área de formação de pessoal.

O Brasil na Agência Internacional de Energia Atômica

O Brasil na Agência Internacional de Energia Atômica

O Brasil é membro fundador da AIEA e tem exercido papel de destaque no organismo, seja nas discussões envolvendo os Estados Membros, seja no tocante à atuação de funcionários brasileiros do Secretariado. Há representantes do Brasil nos principais comitês, comissões e grupos técnicos de alto nível da agência, nas mais variadas áreas. As informações são do atual representante permanente do Brasil na AIEA, Embaixador Marcel Biato.

Segundo ele, há 20 funcionários brasileiros no Secretariado, vários dos quais de alto nível, entre eles dois diretores de divisão e cinco funcionários de nível P5, sendo que o cargo mais elevado exercido por brasileiro foi o de Diretor-Geral Adjunto de Aplicações e Ciências Nucleares, ocupado por Aldo Malavasi, entre 2014 e 2019).

O orçamento regular total da AIEA para o ano de 2020 é de EUR 329.517.825,00 e USD 53.467.887,00. A contribuição alocada ao Brasil é, atualmente, de EUR 9.348.421,00 e USD 1.516.884,00 (2,837% em relação ao total dos aportes dos Estados Membros). Em 2020, o Brasil foi o oitavo maior contribuinte ao orçamento regular da AIEA.

O país é, também, o maior devedor da Agência, com débitos totalizando EUR 12.181.771,00 e USD 1.822.431,00. Caso a dívida não seja quitada, ao menos parcialmente, o Brasil perderá o direito de voto na Agência a partir de 1º de janeiro de 2021.

Por isso, recomenda que o Brasil “envide esforços para superar a prolongada situação de falta de pagamento, que tem causado crescentes constrangimentos políticos à atuação do Brasil na Agência e à defesa das posições brasileiras no tocante aos temas nucleares no âmbito internacional”.

A Política Externa chilena de reposicionamento e prioridade ao Brasil

A Política Externa chilena de reposicionamento e prioridade ao Brasil

O atual Embaixador do Brasil em Santiago, Carlos Sérgio Sobral Duarte, está em seu terceiro chanceler: Heraldo Muñoz, até o final do governo Bachelet, Roberto Ampuero de março de 2018 a junho de 2019, e Teodoro Ribera a partir dessa data, os dois últimos no governo Piñera. E tem percebido a importância do Brasil para a Política Externa chilena. Ele também reconhece a competência do atual ministro Ribera.

Filiado a uma das três principais agremiações partidárias que dão sustentação ao governo, o atual chanceler tem experiência parlamentar e trânsito político. De acordo com Duarte, logo que assumiu, uma de suas primeiras medidas foi promover reunião com ex-chanceleres, com o intuito de reforçar a ideia de que a política exterior chilena deve constituir, tanto quanto possível, uma "política de Estado". Procurava assim marcar um contraponto com o período do seu antecessor, em que a política externa fora criticada por haver-se concentrado em excesso na questão venezuelana e por iniciativas como o rechaço ao Pacto de Migrações e ao Acordo de Escazú”, explicou.

Esse reposicionamento, na visão do diplomata brasileiro, significou uma maior ênfase da política externa chilena em temas mais tradicionais, como a busca pela consolidação e expansão de acordos comerciais, a integração regional, o relacionamento com Argentina, Brasil, Peru, EUA, países europeus e China. “A importância da relação com o Brasil foi sinalizada por Piñera logo no início do seu mandato, ao incluir o país em sua primeira viagem ao exterior como presidente, em abril de 2018. Argentina e Peru também são grandes prioridades para o Chile”, afirmou.

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