Brasília, 17 de agosto de 2019 - 15h31

Militares no Poder e militarização do Governo

22 de janeiro de 2019 - 10:44:21
por: Marcelo Rech
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Militares no Poder e militarização do Governo

Os meios de comunicação que perderam o protagonismo e a capacidade de influir nas decisões políticas do país, agora se voltam para a quantidade de militares que integram os escalões superiores do atual governo com a ideia simples de ignorar que houve um processo eleitoral que os respalda e carregar nas tintas quanto à “militarização do Governo”.

Os militares deixaram claro ao país que, após tantos desmandos, era preciso chamar a responsabilidade. As elites se omitiram e os partidos políticos perderam a quase nula credibilidade que possuíam. Os militares, atuando dentro das regras democráticas, se submeteram à sociedade e receberam dela, o voto de confiança necessário para restaurar a ordem.

Por outro lado, não receberam um cheque em branco. O PSL, partido do presidente, não é um partido de base. A eleição foi baseada na necessidade de mudar completamente a situação. Jair Bolsonaro recebeu este aval. Os militares sustentaram essa posição. Mas, não são infalíveis. São homens e mulheres igualmente suscetíveis ao meio, que padecem das mesmas angústias e ambições que qualquer um.

Os militares no Poder colocam as Forças Armadas em uma situação de risco: se falharem, se permitirem a promiscuidade nas relações políticas, entre o público e o privado e se deixarem deslumbrar, cairá talvez o último bastião de confiança dos brasileiros éticos e honestos.

Entre cobiçado e oferecido

Entre cobiçado e oferecido

A Política Externa Brasileira mudou, não restam dúvidas. Para muitos, para pior. Ao supostamente trocar a ideologia de esquerda pela ideologia de direita, corremos o risco de sermos tratados apenas como um país de segunda categoria. Um anão diplomático como já sinalizou o governo de Benjamin Netanyahu.

Em seu discurso de posse, o ministro Ernesto Araújo destacou como espelho, três países: Estados Unidos e Israel, como os melhores exemplos; e a Venezuela como desafio a ser atacado. A história mostra, através de fatos, que o alinhamento puro e simples, a quase bajulação, nunca rendeu nada de bom para o país.

O Brasil de Bolsonaro poderia optar entre ser a nação cobiçada e o ator que se oferece sem escrúpulos para fazer o jogo de Washington. Por experiência própria, posso dizer que os decentes nos Estados Unidos nunca gostaram dos bajuladores e puxa-sacos.

As nossas posições em política internacional devem ser regidas pelo interesse nacional, mas não apenas por isso. Para que o Brasil volte a ser respeitado é preciso que se faça respeitar. Para tanto, precisamos de um discurso que nos diferencie sem fazer-nos vassalos de ninguém.

Neste momento, caberia uma boa reflexão acerca dos nossos reais deveres e responsabilidades. Isso se quisermos jogar como gente grande no xadrez internacional.

Bolívia

Bolívia

O Embaixador da Bolívia no Brasil, José Kinn, afirmou nesta segunda-feira, 21, que La Paz espera trabalhar de “forma construtiva” com o governo brasileiro de Jair Bolsonaro. Evo Morales fez questão de prestigiar a posse no Brasil e tem tratado o presidente de “irmão”, apesar da ojeriza recíproca.

“Ele começou recentemente a sua gestão e parece disposto a seguir um bom trabalho conosco. Vamos ver no futuro o que acontece, mas até o momento, a agenda mostra que vamos continuar de maneira construtiva”, explicou.

A Bolívia teme que o Brasil abandone o projeto do Corredor Ferroviário Central, uma mega obra que pretende unir o Porto de Santos ao Porto de Ilo, no Peru, cortando o território boliviano. Além disso, este ano o Congresso conclui a votação acerca do Protocolo de Adesão da Bolívia ao MERCOSUL.

Venezuelanos nas Américas

Venezuelanos nas Américas

Nos dias 8 e 9 de abril, será realizada em Quito, no Equador, a III Reunião Internacional sobre Mobilidade Humana de Cidadãos Venezuelanos nas Américas. As reuniões anteriores foram realizadas em setembro e novembro do ano passado.

A chancelaria equatoriana espera contar com observadores da União Europeia, Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Suíça, além dos representantes dos países da região. Também foram convidados integrantes de organismos internacionais e financeiros como Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Corporação Andina de Fomento (CAF), Organização dos Estados Americanos (OEA), Comunidade Andina (CAN) e MERCOSUL.

Na oportunidade, serão avaliadas as medidas previstas na Declaração de Quito e no Plano de Ação, aprovados nas reuniões passadas, sobre a situação da migração venezuelana e sua inserção nos países de acolhida.

Paraguai

Paraguai

O governo paraguaio informou que o Brasil dará “máxima prioridade” ao pedido de Assunção para que se revogue o status de refugiados políticos concedidos a Juan Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colmán. Na quinta-feira, 17, o governo do Paraguai entregou formalmente o pedido ao chanceler brasileiro Ernesto Araújo.

Segunda ponte

Segunda ponte

O presidente da Câmara Paraguaia da Indústria da Construção (Capaco), José Luis Heisecke, acredita que as obras para a construção de duas pontes ligando Brasil e Paraguai, devem ser iniciadas nos próximos meses. Para tanto, serão investidos US$ 270 milhões.

No entanto, Heisecke não soube explicar se o financiamento que seria da Itaipu Binacional, está garantido. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro nomeou o ex-ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, para a direção-geral brasileira da usina. E com uma recomendação clara: cortar tudo aquilo que não tem relação com a produção de energia, atividade-fim de Itaipu.

No dia 12 de outubro passado, o diretor-geral paraguaio, José Alberto Alderete, firmou um acordo com a Capaco para dispor de assessoramento técnico na execução das obras de infraestrutura das pontes.

Peru

Peru

Nesta segunda-feira, 21, o governo brasileiro concedeu o agrément ao diplomata Javier Raúl Martín Yépez Verdeguer como novo embaixador do Peru no Brasil. Ele substituirá Vicente Rojas Escalante.

No âmbito regional, o Brasil tem interesse em contar com o apoio do Peru para fazer avançar o diálogo entre o MERCOSUL e a Aliança do Pacífico, bloco do qual o país andino é membro fundador. O Peru também é membro da UNASUL e da CELAC, além de ser Estado associado do MERCOSUL.