Brasília, 20 de março de 2019 - 09h26

Não à Guerra por Procuração

27 de fevereiro de 2019 - 17:28:34
por: Marcelo Rech
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Não à Guerra por Procuração

Os apelos dos Estados Unidos para que o Brasil enviasse tropas à Venezuela não surtiram efeito apesar da simpatia demonstrada pelo chanceler Ernesto Araújo. Os militares deixaram claro que não há possibilidades de isso vir a ocorrer. Com isso, dizem não à Guerra por Procuração pretendida por Washington.

Araújo foi afastado das negociações e o vice-presidente Hamilton Mourão entrou no circuito. Ele foi a principal autoridade brasileira na reunião do Grupo de Lima realizada na segunda-feira, 25, em Bogotá. Ele reafirmou a posição do presidente Jair Bolsonaro: ajuda humanitária sim, mas sem intervenção. A soberania venezuelana será preservada.

A posição contraria o que era esperado pela oposição. Principalmente os partidos de esquerda torciam para que Bolsonaro embarcasse na canoa furada de Donald Trump. Não vai rolar! Por outro lado, essa posição do Brasil será questionada na visita que o presidente fará aos Estados Unidos, prevista para março.

Moçambique e calote

Moçambique e calote

No dia 20, o Embaixador de Moçambique no Brasil, Gamiliel Sepúlveda João Munguambe, há apenas sete meses no cargo, participou da reinstalação do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil – Moçambique, na Câmara dos Deputados. O mecanismo será presidido pelo deputado Márcio Marinho (PRB-BA) e pretende fortalecer os laços comerciais e a cooperação bilateral.

Na ocasião, Munguambe afirmou que o seu país irá pagar a dívida contraída com o Brasil, mas pediu que não houvesse pressão política para isso. Avisou que o país descobriu aquela que seria a quarta maior reserva de gás natural do planeta e que em três ou quatro anos, Moçambique terá recursos para crescer e se desenvolver em níveis chineses. A dívida moçambicana com o Brasil é de aproximadamente R$ 26 milhões.

Grécia teme impunidade

Grécia teme impunidade

O Embaixador da Grécia no Brasil, Ioannis Pediotis, visitou o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, no dia 6 de fevereiro. No dia 19, reuniu-se com o vice-presidente Hamilton Mourão. Na pauta, a sentença a ser proferida em breve contra os acusados pelo assassinato do seu antecessor Kyriakos Amiridis, em dezembro de 2016.

De acordo com Pediotis, a Grécia teme que o júri popular aplique uma pena leve contra a ex-mulher de Amiridis, Françoise de Souza e o seu amante, acusados pelo crime, o que certamente irá provocar protestos tanto pela sociedade grega como pelo atual governo daquele país.

Brasil – Estados Unidos

Brasil – Estados Unidos

Na terça-feira, 26, a deputada Rosângela Gomes (PRB-RJ) instalou o Grupo Parlamentar Brasil – Estados Unidos. O evento deveria contar, segundo a assessoria do partido, com a presença de 30 senadores e mais de 50 deputados, entre eles, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Isso não aconteceu.

No entanto, aquela que poderia ser uma iniciativa positiva, poderá criar muitos problemas para os norte-americanos. O PRB tem sido extremamente ávido por instalar grupos parlamentares (26 até o momento), ignorando parlamentares que já impulsionam essas iniciativas.

No caso dos Estados Unidos, a primeira iniciativa partiu do senador Roberto Rocha (PSDB-MA). Segundo ele, “a evidente importância dos Estados Unidos no cenário mundial, por si só, justifica a criação desse mecanismo de diálogo entre nossos parlamentos. Acreditamos que o incremento da atuação parlamentar no campo diplomático, dadas as densas relações bilaterais, é benfazeja. Aliás, a atuação marcante do parlamento dos Estados Unidos, sobretudo do Senado, em assuntos de política externa, é inspiradora para seus congêneres ao redor do mundo”, afirmou.

Além disso, teme-se que o excesso de grupos instalados impeça que funcionem plenamente. No Congresso, não há uma regra específica para regular o tema e muitos grupos são criados apenas para viabilizarem viagens ao exterior.

Alemanha e organização criminosa

Alemanha e organização criminosa

A deputada alemã Yasmin Fahimi que na semana passada esteve em Brasília para reunir-se com dirigentes de partidos de esquerda, foi surpreendida na reunião com parlamentares brasileiros na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, na quinta, 21.

O evento foi organizado para equilibrar a agenda da parlamentar e evitar tensões com o Brasil. Na oportunidade, o deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS) foi direto e reclamou da imagem do Brasil no exterior e do ativismo da imprensa europeia com o Partido dos Trabalhadores (PT), classificado por ele como “organização criminosa”. O termo chocou a deputada.

Ela afirmou que o avanço da extrema direita no Brasil preocupa, mas não fez referências ao que ocorre na Europa com o crescimento dos partidos nacionalistas e de direita como na Itália, Hungria, Áustria e até mesmo na Alemanha.