Brasília, 25 de maio de 2019 - 09h25

PROSUL X UNASUL

12 de fevereiro de 2019 - 10:18:52
por: Marcelo Rech
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PROSUL X UNASUL

No dia 22 de maio, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, reúne em Santiago, os Chefes de Estado dos países membros da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), para iniciar as discussões em torno da criação de um novo mecanismo regional, o PROSUL.

A proposta já se encontra em análise pelo Itamaraty. Na avaliação do Chile, não há mais como renovar ou reviver a UNASUL que se encontra completamente acéfala e não funciona há pelo menos dois anos. O governo do Equador já pediu a sede de volta e seis dos 12 países membros suspenderam participação (e os respectivos repasses financeiros).

O PROSUL teria uma estrutura reduzida, sem sede, secretaria permanente e pessoal e os trabalhos seriam coordenados exclusivamente pela presidência pro tempore, a ser exercida, anualmente, de forma rotativa, por cada Estado.

Além disso, Estado de Direito e Democracia serão os principais pré-requisitos. A proposta chilena enfatiza a noção de que o novo mecanismo não deve estar preso a ideologias políticas e que tenha como pressuposto essencial a vigência do Estado de Direito e da Democracia em seus países membros.

Doble agenda

Doble agenda

Enquanto o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, discutia em Washington a agenda do presidente Jair Bolsonaro que deve visitar os Estados Unidos em março, a vice-presidência da República já trabalhava para confirmar a viagem do general Hamilton Mourão àquele país em abril.

A embaixada norte-americana está preocupada com a superposição de agendas do presidente e do seu vice em um curtíssimo espaço de tempo. Também não está claro se o Itamaraty está informado a respeito e se há coordenação entre a Presidência e a vice-presidência.

Espanha

Espanha

Na surdina, o deputado Jhonatan de Jesus (PRB-RR), pediu, no dia 1º de fevereiro, a reinstalação do Grupo Parlamentar Brasil – Espanha. Protocolado na Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados, o pedido não informa quem são os parlamentares que integram o grupo.

Em 2017, a deputada Bruna Furlan (PSDB-SP), reinstalou o Grupo Parlamentar Brasil – Espanha em grande estilo, com a presença do então Secretário de Estado de Assuntos Exteriores da Espanha, Idelfonso Castro. A parlamentar não foi informada da decisão do colega e a Embaixada espanhola desconhece a medida.

Alemanha

Alemanha

No dia 21 de fevereiro, a deputada alemã Yasmin Fahimi do Partido Social Democrata, se reunirá em Brasília com parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), sindicalistas e líderes de movimentos sociais de esquerda. Ela preside o Grupo Parlamentar Alemanha – Brasil.

Filha de pai iraniano e mãe alemã, a visita de Fahimi tem tirado o sono dos diplomatas alemães. Antes da eleição no Brasil, ela afirmou: “não vejo nenhuma base para uma parceria estratégica com um presidente Bolsonaro”.

Ainda segundo ela, “o Brasil está à beira de uma grande ruptura. Ficamos chocados como o fato de que, com Jair Bolsonaro, uma pessoa que tornou socialmente aceitável um discurso de ódio tenha chegado à liderança. Isso nos enche de preocupação sobre o futuro do Brasil”.

O Embaixador da Alemanha, Georg Witschel trabalha para montar uma agenda suprapartidária como forma de diluir eventuais declarações da sua deputada. A ideia é que ela participe de uma reunião com parlamentares brasileiros que integram o grupo homólogo.

Paraguai

Paraguai

No dia 12 de março, o presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez, realiza visita oficial ao Brasil quando se reunirá com Jair Bolsonaro. Na pauta, temas das agendas bilateral e regional, especialmente a criação de um mecanismo de integração para substituir a UNASUL.

De Brasília, ele segue para a Argentina onde tratará do mesmo assunto com Mauricio Macri. A última etapa da viagem prevê uma reunião ampliada com o presidente chileno, Sebastián Piñera, autor da proposta de criação do PROSUL.

Irã

Irã

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, virá ao Brasil em março acompanhado de uma grande missão econômica, numa demonstração da determinação da República Islâmica do Irã para desenvolver as relações com o Brasil.

Para se ter uma ideia, o volume do intercâmbio comercial bilateral no ano de 2018, atingiu mais de US$ 2,6 bilhões.

No entanto, o tema principal é outro: o acordo nuclear, denominado como Plano de Ação Conjunto e Abrangente (JCPOA). De acordo com o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan, trata-se de um acordo visando o fim da iranofobia e dos atritos internacionais.

“Este acordo demonstrou a veracidade do programa nuclear iraniano de ter fins pacíficos. Mas os Estados Unidos da América abandonaram unilateralmente esse acordo internacional, como abandonaram outros acordos internacionais. Assim, mais uma vez, demonstraram sua incompatibilidade com a sociedade internacional e suas estratégias de unilateralismo”, afirmou.

Javad Zarif virá a Brasília para reafirmar que o Irã segue cumprindo o acordo nuclear assinado com a sociedade internacional, e espera que o grupo de países europeus cumpram também com os seus compromissos. O apoio do Brasil à manutenção do acordo é fundamental para Teerã.