Brasília, 20 de outubro de 2019 - 01h52

Ruídos Diplomáticos

10 de dezembro de 2018 - 12:38:44
por: Marcelo Rech
Compartilhar artigo:
Ruídos Diplomáticos

Em seu primeiro pronunciamento à Nação após a confirmação de sua vitória nas eleições de outubro, Jair Bolsonaro fez menção à Política Externa, o que gerou muitas expectativas em torno do futuro chanceler e das Relações Internacionais do Brasil.

As declarações acerca da transferência da Embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém deram o tom do que estaria por vir. O próprio presidente eleito e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), confirmariam antes mesmo da indicação do ministro das Relações Exteriores, que os rumos da política externa seriam outros a partir de 1º de janeiro.

O anúncio do nome do diplomata Ernesto Araújo para o comando do Itamaraty, no entanto, não ajudou, ainda, a dissipar as dúvidas e incertezas. Diplomatas estrangeiros esperavam que ele passasse a ser o porta voz dos temas internacionais, o que não aconteceu.

Há grande preocupação com a possibilidade de o Brasil ter um ministro de direito e outro, de fato. Um chanceler paralelo turvaria ainda mais o ambiente. As memórias recentes do papel exercido por Marco Aurélio Garcia à serviço da política externa do PT, ainda são muito recentes.

Mais diálogo público e transparência ajudariam a desconstruir essa visão. Além disso, permitiria às embaixadas estrangeiras, informar melhor suas capitais, contribuindo para a verdadeira imagem do governo e do Brasil, hoje vítimas de um projeto de desinformação radical.

Cuba

Cuba

O governo cubano preferiu adiantar-se à posse do presidente Jair Bolsonaro e romper o contrato intermediado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) que mantinha pouco mais de 8 mil médicos no Brasil. Para o governo cubano, o gesto unilateral não foi precipitado. Não haveria diálogo e a ideia era retirar os médicos do país antes que Bolsonaro pudesse exercer qualquer controle sobre eles.

Para Olavo de Carvalho, o governo eleito não pode dar-se por satisfeito com a saída dos cubanos. É preciso investigar profundamente que entrou, quem eram os médicos e quem ocupavam outras funções, como a de espiões à serviço do regime cubano.

Ele entende ainda que Bolsonaro deve ir atrás dos brasileiros que estão, no Brasil, à serviço de Cuba. E seriam muitos, assegura.

Síria

Síria

O atual Encarregado de Negócios do Brasil na Síria, Fábio Pitaluga, será o embaixador brasileiro em Damasco. No último dia 5, o Senado aprovou a indicação que eleva o status do diplomata. Ao fazê-lo, o Brasil reconhece que a situação interna se encontra estabilizada e também é hora de apoiar o retorno dos refugiados espalhados em 45 países.

Reconstrução

A reconstrução da Síria em guerra desde 2011, custará cerca de US$ 400 milhões. Damasco já iniciou o diálogo com diferentes segmentos visando o início de obras em áreas já liberadas de extremistas e confrontos. O Brasil que nunca fechou a sua embaixada no país, espera ser contemplado com contratos volumosos. Pitaluga disse aos senadores que as autoridades sírias veem o país como prioritário neste processo.

Medalha

Talvez por isso, o governo brasileiro não quer a aprovação do Projeto de Decreto Legislativo 913 de 2018, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ), que revoga o Decreto de 12 de julho de 2010, do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concedeu a Bashar Al-Assad, presidente da República Árabe da Síria, o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) foi designado relator e apresentará voto contrário à proposta atendendo pedido do senador Fernando Collor (PTC-AL), que em novembro esteve na Síria em missão oficial. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Collor também tem insistido para que um deputado reinstale e assuma o Grupo Parlamentar de Amizade Brasil – Síria, há poucas semanas do fim da Legislatura.

O ministério da Defesa também prefere que a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, não delibere sobre o assunto neste ano.