Brasília, 26 de maio de 2020 - 13h12

Venezuela: do autoritarismo ao tiro no pé

13 de janeiro de 2020 - 14:32:35
por: Marcelo Rech
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Venezuela: do autoritarismo ao tiro no pé

Desde o final de 2019, governos de 55 países, mais a União Europeia, pressionavam os deputados venezuelanos para que reelegessem Juan Guaidó como presidente da Assembleia Nacional, condição fundamental para que mantivessem o reconhecimento internacional ao autoproclamado presidente encarregado da Venezuela.

No entanto, Nicolás Maduro, em mais um exercício explícito de autoritarismo, manobrou para que um aliado seu, Luis Parra, fosse eleito presidente do parlamento no lugar de Guaidó.

Esse movimento, se exitoso, colocaria a comunidade em maus lençóis, pois o chefe do Legislativo, segundo a Constituição venezuelana, seria o presidente da República, observadas algumas condições. Parra não faria isso, claro! Maduro passaria a controlar o parlamento de uma vez por todas.

Mas, faltou combinar com todo mundo. Para viabilizar sua estratégia, Maduro exacerbou ao impedir o acesso da oposição à Assembleia Nacional e promover uma eleição fajuta. O erro foi tão grotesco que países que o apoiam como Argentina, México e Uruguai, todos governados pela esquerda, condenaram os atos.

Até mesmo o Grupo Internacional de Contato, integrado por França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido, países membros da UE, e três países de América Latina (Equador, Costa Rica e Uruguai), também condenou as manobras de Maduro.

A esperteza cobrará o seu preço e Maduro conseguiu a façanha de isolar ainda mais a Venezuela. Ato seguido, a Organização das Nações Unidas (ONU) informou que Caracas perdeu direito de voto na Assembleia Geral por conta da dívida milionária acumulada nos últimos anos.

Oriente Médio – Irã – Estados Unidos

Oriente Médio – Irã – Estados Unidos

O ano começou quente com o embate entre Estados Unidos e Irã. Mas, daí a imaginar uma terceira guerra, foi demais. O que vimos foi algo quase teatral. Os Estados Unidos eliminaram um general influente sem consultar seus aliados europeus. Washington, mais uma vez, pagou para ver. O Irã, por sua vez, bombardeou uma base norte-americana no Iraque. Estamos quites?

O Irã que há algum tempo patina por conta dos problemas econômicos, muitos deles ampliados pelas sanções impostas internacionalmente, viu as revoltas populares se transformarem em unidade e apoio ao regime. Mais uma vez, os Estados Unidos conseguiram algo inimaginável.

No entanto, um erro monstruoso colocou tudo a perder em poucas horas. Ao desmentirem-se a si mesmos, as autoridades iranianas reconheceram que a queda do PS752 da companhia Ukraine Airlines International (UAI), que faria o voo Teerã – Kiev, fora derrubado por um míssil. O erro humano está sendo investigado, mas a mentira foi suficiente para devolver milhares de pessoas às ruas pedindo a renúncia dos líderes iranianos.

Se os Estados Unidos forem inteligentes, não se meterão na questão. O Brasil menos ainda. Já perdemos a condição de neutralidade e o reconhecimento dos diferentes atores regionais por conta do nosso alinhamento automático a Israel e aos Estados Unidos. É preciso, agora, refletir melhor acerca do envolvimento do país nas questões internacionais. Há uma agenda imensa de conflitos que não nos dizem respeito.

Detalhe: de acordo com o Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias de Santa Catrarina (FIESC), os portos catarinenses responderam por 98% das importações brasileiras do Irã em 2019 e, basicamente, o país importou fertilizantes dos iranianos.

Argentina, Brasil e Paraguai terão agência de inteligência trilateral

Argentina, Brasil e Paraguai terão agência de inteligência trilateral

Os governos da Argentina, Brasil e Paraguai trabalham para criar uma agência de inteligência trilateral cujo foco estará, prioritariamente, na Tríplice Fronteira. De acordo com o ministro do Interior, do Paraguai, Euclides Acevedo, o presidente paraguaio ordenou um trabalho integrado com os vizinhos na luta contra o crime organizado e o terrorismo.

A decisão veio depois das tensões entre Irã e Estados Unidos e a promessa de vingança contra os norte-americanos por parte do Hezbollah libanês. Na região da Tríplice Fronteira há muitas atividades de simpatizantes e militares xiitas e o Paraguai que antecipar-se à possíveis problemas.

O ministro da Defesa, Bernardino Soto Estigarribia, também informou que o Paraguai definiu uma série de ações de monitoramento e proteção de infraestruturas críticas, contra possíveis ações terroristas. A criação de uma agência de inteligência trilateral na região é um antigo sonho dos Estados Unidos. Por outro lado, oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) continuam trabalhando para a criação de uma agência de inteligência civil no Paraguai.

México assume presidência da CELAC em cúpula esvaziada

México assume presidência da CELAC em cúpula esvaziada

O México assumiu, na semana passada, a presidência pro tempore da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) em cúpula esvaziada, sem a presença dos chefes de Estado e de Governo da região. A Bolívia, que presidia o mecanismo não compareceu, assim como o Brasil que também ignorou o evento.

De acordo com o chanceler mexicano Marcelo Ebrard, o país assumiu o comando da CELAC com duas prioridades: fazer com que o mecanismo se reúna e não tratar de temas que estão nas agendas da ONU, OEA e Grupo de Lima, ou seja, nada de Venezuela e sua crise na CELAC.

Apesar do esvaziamento, o México apresentou um documento de 14 pontos que pretende transformar a CELAC no principal e mais importante mecanismo de concertação política regional. Entre os temas que deverão ser priorizados está o lançamento de um satélite ainda neste ano, por meio de uma cooperação espacial.

Esquerda latino-americana se articula para comandar a OEA

Esquerda latino-americana se articula para comandar a OEA

A esquerda latino-americana está se articulando desde dezembro para comandar a Organização dos Estados Americanos (OEA), o mais antigo mecanismo político hemisférico. As eleições serão realizadas em 20 de março e bastam 18 votos para eleger-se. Para tanto, foi lançada a candidatura da ex-ministra de Relações Exteriores do Equador, Maria Fernanda Espinosa, que deve contar com os apoios da Argentina, Cuba, Nicarágua e Venezuela.

O atual Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, anunciou em dezembro de 2018 que buscaria a reeleição. Ele tem o apoio do Brasil, Estados Unidos, Colômbia, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru e deverá ser respaldado pelo novo governo do Uruguai. Além de Espinosa e Almagro, o atual embaixador do Peru nos Estados Unidos, Hugo de Zela, também concorrerá ao cargo.

Em nota, a chancelaria argentina informou que “trabalha com o México, Peru, Panamá, Antígua e Barbuda e São Vicente e Granadinas, na construção de uma candidatura alternativa a de Almagro”.