Brasília, 29 de setembro de 2020 - 05h45
Comércio bilateral Brasil - Egito cresce com acordo firmado pelo MERCOSUL

Comércio bilateral Brasil - Egito cresce com acordo firmado pelo MERCOSUL

16 de setembro de 2020 - 16:19:36
por: Marcelo Rech
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Brasília – As exportações do Brasil para o Egito cresceram 21,1% nos últimos três anos, quando foi assinado o acordo de livre comércio entre o paíis africano e o MERCOSUL. As importações também avançaram 73,9%, num cálculo que considera os produtos contemplados pelo tratado. No período, mais de dois mil produtos tiveram suas tarifas eliminadas no comércio bilateral.

Os números revelam ainda que as exportações do Brasil para o Egito de produtos fora do acordo caíram 37,6% no período analisado. As importações de bens não contemplados nessa negociação, no entanto, cresceram 360%. O acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e o Egito completou três anos no dia 1º de setembro. Pela parte do bloco sul-americano, ele abrange 5.984 produtos e pelo Egito, outros 5.301.

Outro dado importante diz respeito ao alho. O Egito passou a ser um dos principais fornecedores internacionais de alho do Brasil desde que o mercado nacional foi aberto para o produto, em junho do ano passado. Dois meses após, em agosto, os egípcios já vendiam alho aos brasileiros, em um comércio que gerou US$ 2,3 milhões em 2019. Neste ano, apenas nos oito primeiros meses a exportação chegou a US$ 5 milhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) brasileira.

Por conta do acordo com o MERCOSUL, o Brasil passou a vender mais para o Egito glicerol; tijolos, placas, ladrilhos e peças cerâmicas semelhantes para construção; e óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. No caso da importação, destacam-se itens como plantas, suas partes, sementes e frutos, para uso em perfumaria, medicina e inseticidas; azeitonas preparadas ou congeladas; parafina; e cimentos.

A partir deste mês, haverá a eliminação de tarifas para mais 463 produtos da oferta do MERCOSUL e 719 para exportação ao mercado do Egito. Os principais setores beneficiados são compostos químicos inorgânicos; produtos químicos orgânicos; papel e cartão; produtos farmacêuticos; plásticos e suas obras; e combustíveis, óleos minerais e seus destilados.

No caso da importação, com a nova redução tarifária, são contemplados itens como plantas, raízes e tubérculos; combustíveis, óleos minerais e seus destinados; grãos, sementes e frutos; sal e enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento; e borracha.

No entanto, o setor industrial entende que há muitas melhorias que podem ser implementadas ao acordo MERCOSUL-Egito, como por exemplo, a aceleração do processo de redução tarifária para produtos dentro do acordo, uma vez que há um cronograma para essas medidas, e a inclusão de novos bens na negociação, como revestimentos cerâmicos, móveis, autopeças, alimentos e produtos farmacêuticos.

Também há uma demanda para que o Egito retire barreiras não tarifárias, como regulamentos técnicos relacionados a testes de segurança no setor automotivo. Entra na pauta também a renegociação de regras de origem, que são as condições sob as quais um país importador poderá considerar um produto originário de um país exportador membro desse acordo e consequentemente receber um tratamento preferencial. Além disso, as empresas também querem a modernização do escopo normativo do acordo, como capítulos mais robustos em barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e a inclusão de temas como facilitação de comércio e compras públicas.