Opinião

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Compras militares: criticar é fácil

Compras militares: criticar é fácil

A decisão do governo brasileiro de fechar também com a França a compra de 36 caças – já havia acertado os contratos para a compra de submarinos e helicópteros – reforça a pretensão brasileira de se associar com países que realmente estejam dispostos a cooperar.

Não se pode gastar R$ 31 bilhões em compras que não agregam valor algum à ciência e tecnologia deste país.

A carta da Secretária de Estado norte-americana Hilary Clinton ao presidente Lula, garantindo o apoio do governo dos Estados Unidos à transferência de tecnologia da Boeing para o Brasil caso o F18 fosse o escolhido, não convenceu.

Não cabe ao governo Obama autorizar esse tipo de negócio. São os congressistas que analisam e decidem.

E o governo brasileiro se deu conta que isso não aconteceria. Gastaríamos uma montanha de dinheiro para ficarmos reféns dos interesses norte-americanos na região.

Vide o caso do Super Tucano da Embraer que não pudemos vender à Venezuela. Como a aeronave possui componentes fabricados nos Estados Unidos, eles podem nos proibir de vender para quem julgarem hostis.

Por outro lado, criticar as compras é muito fácil e muito simples.

Para um país marcado por contrastes, consumir R$ 31 bilhões em armas parace um acinte.

Muitos já dizem que é um escândalo, uma vergonha, um absurdo.

Mas, não é!

Os problemas que o Brasil enfrenta há séculos em áreas vitais como saúde, educação, infra-estrutura e insegurança, não são frutos dos investimentos realizados nas Forças Armadas.

Nem seriam resolvidos se o Brasil cancelasse esses acordos.

O grande câncer deste país está na corrupção, nos desvios de conduta, nos projetos pessoais.

O governo tenta agora, ressuscitar a CPMF. Não quer suas digitais nela por conta das eleições, ou seja, sabe que está mentido ao dizer que a nova contribuição vai resolver os problemas da saúde.

Não vai. A CPMF não resolveu porque o dinheiro irrigava outras áreas, luxos e frivolidades dos nossos políticos.

Portanto, não faltam recursos ao país.

Dinheiro, por mais que o governo tente dizer o contrário, não falta.

O que falta é vergonha na cara. Se todo o dinheiro que arrecada com impostos fossem invetsidos na melhoria dos serviços e no atendimento da população, o Brasil seria um país de primeiro mundo.

É preciso desfazer essa imagem de pobre e miserável.

Há riquezas suficientes para que ninguém passe fome, mas apesar dos programas assistencialistas do governo, 14 milhões de brasileiros não sabem o que é um prato decente de comida.

Pode-se até questionar se as escolhas foram acertadas ou se tínhamos alguma alternativa melhor.

É aceitável discutir a falta de discussão sobre o tema, a ausência de um debate que deveria travar-se no Congresso.

Ocorre que o Congresso já não tem moral para os grandes debates preso que está na podridão do dia-a-dia das questões paroquiais.

Ao se decidir pelo reaparelhamento e modernização das Forças Armadas, o governo manda uma mensagem clara àqueles que ainda nos vêem como uma republiqueta.

Gostem ou não, para sermos respeitados é preciso mostrarmos as armas, literalmente!

Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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