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18/01/2010
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Política Externa

Comunidade internacional pode rever papel da Minustah

Marcelo Rech

No dia 25, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estará em Montreal (Canadá) para a reunião extraordinária de chanceleres amigos do Haiti.

Será um encontro para discutir a reconstrução do país. Medidas de médio e longo prazo que devem ser implementadas.

Paralelamente, o Brasil atua para não perder o comando da missão das Nações Unidas (Minustah).

O envio do Secretário-Geral do Itamaraty a Porto Príncipe, embaixador Antonio Patriota, foi o primeiro passo para marcar a posição brasileira depois que os Estados Unidos decidiram enviar dez mil militares ao país.

A decisão é vista por muitos como uma forma de ocupação. Para se ter uma idéia, o total do contingente militar da ONU no país chega aos 7 mil militares.

Além disso, o presidente Barack Obama anunciou a convocação de reservistas para atuarem no Haiti em ações humanitárias e na segurança local.

O Haiti é uma das principais prioridades da política externa brasileira.

Uma espécie de laboratório para que o país alcance um assento permanente num futuro Conselho de Segurança das Nações Unidas reformado e ampliado.

Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se reúne com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir o que viu na capital haitiana.

Ele defende a permanência dos militares no país até 2015, pelo menos.

Antes do terremoto, especulava-se que a missão poderia ser encerrada em 2012 com a posse do novo presidente.

Além de casas e edifícios, o terremoto também derrubou tais previsões.

Neste momento, sequer é possível falar nas eleições legislativas marcadas para fevereiro.

Com o agravamento da situação interna haitiana, o Brasil sofrerá pressões para aceitar que novos atores se somem aos esforços, o que pode lhe retirar o papel de protagonista na recuperação da governabilidade do Haiti.

O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nos próximos dias exclusivamente para debater a situação do país caribenho.

Não se descarta a aprovação de uma resolução ampliando o contingente da Minustah e revendo parte do seu papel no país.

O Brasil terá de ser muito hábil para conseguir que as novas medidas não interfiram no trabalho que vinha sendo executado e que surtiam resultados muito positivos.

Com alguns dos principais líderes de gangues livres, a segurança do país pode retroceder com índices de violência semelhantes aos encontrados pelas forças de paz em 2004.

O governo brasileiro deve dizer com todas as letras que não há nenhuma relação entre o seu comando e a tragédia que se abateu sobre o Haiti.

Prestes a ocupar pela décima vez uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU como membro não-permanente, o Brasil terá vista privilegiada para responder aos já previsíveis ataques.

Também será fundamental que o país tenha o apoio político incondicional para se manter no Haiti pelo tempo que for necessário.

Para tanto, o Congresso será provocado pelo ministro Nelson Jobim para que ofereça esse suporte.

Marcelo Rech é o editor do InfoRel. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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