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Conferência de Annapolis – Discurso do Ministro Ce

Conferência de Annapolis - Discurso do Ministro Celso Amorim

O Brasil felicita o Governo dos Estados Unidos por tomar a iniciativa de convocar esta reunião.

Os esforços pessoais do Presidente Bush e de Vossa Excelência em favor da paz são altamente louváveis.

Como o são, também, os esforços realizados pelo Presidente Mahmoud Abbas e pelo Primeiro-Ministro Ehud Olmert.

A disputa israelo-palestina já persiste há tempo demais. Após sessenta anos de desconfiança mútua e violência contínua, é hora de enfrentar o problema de maneira realista e efetiva.

É essencial que se estabeleça um Estado palestino independente dentro de um horizonte de tempo crível. Ao mesmo tempo, devem ser asseguradas condições que permitam ao Estado de Israel coexistir em paz com seus vizinhos.

Não haverá paz sem decisões corajosas, que envolverão necessariamente concessões. Algumas delas, sem dúvida, serão dolorosas.

Terra por Paz continua a ser um princípio norteador para uma solução negociada duradoura. Isso deve levar a um Estado palestino soberano, democrático, coeso e economicamente viável nos territórios ocupados desde 1967.

A paz deve incluir também medidas eficientes para proteger e defender Israel contra atos de violência.

As negociações devem ser abrangentes e inclusivas. Vozes moderadas devem ser fortalecidas. Isso não será alcançado por palavras, ainda que eloqüentes, de apreço e admiração.

Apenas resultados sólidos e tangíveis no processo de paz darão aos moderados o apoio político de que necessitam de suas bases.

Senhora Secretária de Estado,

Levas sucessivas de imigrantes judeus e árabes encontraram no Brasil abrigo e proteção. A coexistência amistosa das comunidades judaica e árabe no Brasil é um exemplo de tolerância, diálogo e respeito.

Nos últimos anos, fortalecemos nossas relações tanto com Israel quanto com o mundo árabe. Temos demonstrado a ambos os lados nossa plena disposição para participar de modo ativo dos esforços internacionais pela paz.

O Brasil tem acompanhado com preocupação a contínua deterioração das condições de vida nos Territórios Ocupados. Particularmente na Faixa de Gaza, vemos privações, pobreza e frustração.

O Brasil, juntamente com seus parceiros do Fundo IBAS – Índia e África do Sul -, está engajado neste momento em desenvolver projetos sociais e econômicos em benefício do povo palestino.

O Brasil também apóia os esforços do Representante Especial do Quarteto, Tony Blair, com vistas a estimular a economia palestina e consolidar o processo de desenvolvimento das instituições em Gaza e na Cisjordânia.

O Brasil participou da Conferência de Estocolmo de setembro de 2006. Esperamos que a iminente Conferência de Doadores de Paris dê impulso substancial à economia palestina.

O Brasil está preparado para aumentar de modo significativo sua cooperação econômica e técnica em áreas consideradas prioritárias pelos palestinos.

Para ser duradoura, a paz verdadeira deve vir acompanhada de iniciativas dos próprios cidadãos, com efetiva participação da sociedade civil, partidos políticos, membros do Parlamento.

O Brasil estaria pronto a sediar reuniões inclusivas, concebidas para fomentar a adesão aos valores da paz e da coexistência no Oriente Médio, se isso for considerado útil por ambas as partes.

Senhora Secretária de Estado,

É fato que não haverá paz duradoura no Oriente Médio sem uma solução para o conflito entre Israel e a Palestina. E o mundo não estará seguro até que haja uma paz duradoura no Oriente Médio.

No ano passado, em seu discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas, o Presidente Lula enfatizou a necessidade de engajar mais países nesse desafio, incluindo países em desenvolvimento com boas relações com ambas as partes.

A participação de novos atores será revigorante para o processo de paz. A esse respeito, esta Conferência representa um passo importante.

Notamos com satisfação que esse tipo de participação ampliada da comunidade internacional já está sendo considerada para o seguimento de Annapolis.

O fato de que essa Conferência esteja acontecendo já é um marco. Não apenas porque propiciou maior envolvimento da comunidade internacional.

O trabalho preparatório parece ter aberto novas possibilidades para o tratamento de questões substantivas em paralelo a medidas de construção de confiança.

O diálogo e a negociação devem prevalecer sobre posturas rígidas e impositivas, que apenas levam à amargura e à hostilidade.

O Brasil manifesta sua confiança em que a Conferência de Annapolis abrirá caminho para uma retomada concreta e eficaz do processo de paz. Só então a descrença dará lugar à esperança.

Obrigado.

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