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Cooperação

Conferência de Ministros da Defesa das Américas é preparada no Peru

Brasília – Terminou nesta sexta-feira, 7, em Lima, a reunião preparatória dos 34 vice-ministros da Defesa para a XI Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA) a ser realizada neste ano no Peru. Durante dois dias, eles discutiram a agenda do evento com ênfase à luta contra o crime organizado, o respeito aos direitos humanos, à destruição de minas terrestres e o apoio aos países-membros em caso de desastres naturais.

A IX Conferência de Ministros da Defesa das Américas será realizada em Arequipa em outubro e servirá ainda para promover debates acerca da cooperação hemisférica em temas de Segurança e Defesa.

Trata-se da principal instância do setor Defesa de caráter internacional e multilateral, com respaldo dos governos dos respectivos países.

No encontro realizado em Lima, os vice-ministros acordaram intercambiar experiências para que haja uma luta conjunta para erradicar a mineração ilegal nos países que integram o mecanismo.

Decidiu-se ainda criar uma coordenação das conferências militares hemisféricas com a Conferência de Ministros das Américas, ampliar a cooperação em saúde militar com o desenvolvimento de medicamentos para o cuidado com os recursos humanos militares, e uma maior cooperação em casos de desastres naturais.

Os vice-ministros determinaram ainda que as cooperações exitosas mantidas entre Peru e Equador e Colômbia e Chile, contra o crime organizado, sejam objeto de aprofundamento no plano hemisférico.

De acordo com o ministério da Defesa do Peru, a CMDA tem por objetivo, resolver disputas por meio de acordos e medidas de confiança em sintonia com a integração hemisférica, além de reconhecer que o desenvolvimento econômico-comercial influencia na segurança para a Defesa.

Além disso, guarda relação direta com o Acordo de Santiago com respeito à preservação da democracia como base para garantir a segurança hemisférica.

Também reafirma os compromissos de Miami e Manágua de que as Forças Armadas devem subordinar-se à autoridade democraticamente instituída, atuar dentro dos limites das constituições nacionais e respeitar os direitos humanos.

É propósito da Conferência aumentar a transparência em assuntos de Defesa, por meio do intercâmbio de informação, de comunicação de gastos de Defesa e um maior diálogo entre civis e militares.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

A Conferência de Ministros da Defesa das Américas foi criada pelo governo dos Estados Unidos na esteira da então pretendida Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), projeto sepultado ainda no final dos anos 90.

Nasceu com o propósito de fomentar a confiança hemisférica em temas de Defesa, mas com o tempo perdeu importância principalmente nos países sul-americanos.

Na América Central e parte do Caribe, ainda é vista como um elemento fundamental principalmente quanto à cooperação e treinamento dos militares. Os países mais pobres da região carecem de recursos e equipamentos para as suas Forças Armadas. O que vier do grande irmão do Norte é lucro.

Já na América do Sul, com a criação da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e, consequentemente, do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), as iniciativas dos Estados Unidos perderam espaço e, mais importante, influência.

Os temas que os ministros da Defesa do hemisfério devem discutir em outubro, já veem sendo debatidos há alguns anos no subcontinente. O fomento da confiança vem sendo trabalhado e tem produzido ótimos resultados. A chamada Identidade Sul-Americana de Defesa não é mais um delírio.

Projetos comuns veem sendo desenvolvidos como o Veículo Aéreo Não Tripulado e o avião de treinamento batizado UNASUL 1. Há muitos outros na forma. Com um pouco de paciência e mais entendimento, irão gerar grandes frutos para a coletividade sul-americana.

É claro que iniciativas como estas encontram resistências. A pretendida independência sul-americana dos produtos bélicos dos Estados Unidos não será conquistada de maneira fácil nem simples, mas os passos têm sido dados nesta direção.

Embora despercebidos ainda, o Centro de Estudos Estratégicos de Defesa, que funciona em Buenos Aires, e a anunciada Escola de Defesa Sul-Americana, são realidades que no longo prazo produzirão transformações culturais tremendas.

Culturais porque um dos grandes desafios é fazer parte dos militares, especialmente a velha guarda, aceitarem que o mundo mudou, a realidade é outra e o poder militar deve subordinar-se ao poder civil, este eleito legitimamente pelo voto popular.

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