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11/06/2005
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11/06/2005

Amazônia

Congresso poderá investigar missão aérea norte-americana na Amazônia

A deputada Maria Helena [PPS-RR], presidenta da Comissão da Amazônia, da Câmara dos Deputados quer investigar as denúncias sobre as incursões que um avião-radar norte-americano que teria sobrevoado reservas indígenas em outubro do ano passado.

O Comando da Aeronáutica assegurou ao InfoRel que o avião, um P-3 de inteligência de sinais, recebeu autorização para sobrevoar o país e recebeu acompanhamento permanente até deixar o Brasil com destino à Argentina.

A rota inicial que previa pouso em Manaus [AM] foi modificada com autorização da Aeronáutica, e a aeronave acabou pousando em Boa Vista [RR]. A mudança de rota foi solicitada pela aeronave, destaca a Aeronáutica.

Ainda de acordo com o Comando, desde que o avião entrara no espaço aéreo brasileiro, foi monitorado pelos sistemas de defesa aérea. Logo que pousou em Roraima, um especialista em eletrônica da Força Aérea Brasileira embarcou e seguiu no avião até Foz do Iguaçu [PR], de onde a aeronave seguiu para a Argentina.

Além de não reconhecer o relatório de inteligência que teria sido acessado pelo jornal O Globo, o Comando esclareceu que somente a Aeronáutica tem condições de fazer o acompanhamento das aeronaves que sobrevoam o território brasileiro. De qualquer forma, um grupo de parlamentares pretende ver a situação explicada no Congresso.

Segundo a deputada Maria Helena, “além da incursão ilegal, injustificada, e afronta ao Estado brasileiro, trata-se de prova, com vínhamos denunciando há tempos, do interesse e intrusão descabida em áreas que só dizem respeito ao interesse nacional. O que faria um avião-radar norte-americano voando a baixa altitude sobre áreas indígenas brasileiras a não ser investigar, pesquisar, descobrir e se apropriar de informações sobre o nosso território? Com que interesse? Com que consentimento?”, indagou a parlamentar.

Ela afirmou que a esta incursão não poderia ser consentida ou mantida sob sigilo e que vai em busca de respostas. Ao InfoRel, a Aeronáutica destacou que todo o procedimento em torno do sobrevôo do P3 norte-americano seguiu normas internacionais.

O P3 poderia estar tentando identificar os postos de controle da Força Aérea Brasileira, mas essas áreas são estratégicas e preservadas, onde sequer existem aerovias. Por outro lado, ainda que sejam importantes sob todos os pontos de vista, as reservas indígenas que teriam sido alvo do vôo, não são objetivos militares.

Especialistas em assuntos militares acreditam que o governo não reconhece o sobrevôo de exploração e identificação das riquezas minerais existentes nas reservas indígenas, por que não percebeu a tempo o que o avião norte-americano faria.

Na opinião desses especialistas, o avião deveria ter sido interceptado com base na Lei do Abate e derrubado caso não seguisse as orientações para manter a rota ou pousar.

O P3 é um modelo adaptado para missões de espionagem, com sensores capazes de identificar imagens e sinais. No Brasil, serão revitalizados para realizarem missões de patrulhamento marítimo.

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