Brasília, 17 de novembro de 2018 - 14h19

Conselho de Defesa Sul-Americano em discussão

20 de julho de 2010
por: InfoRel
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Em 10 de agosto de 2009, o Equador assumiu a presidência pro tempore da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e com ela, a Secretaria Técnica do Conselho Sul-Americano de Defesa (CDS).



Nesta terça-feira, especialistas da Argentina, Brasil, Colômbia e Equador, divergiram sobre o futuro do mecanismo, principalmente sobre sua capacidade de construir confiança regional e em relação à transparência nos gastos militares.



Uma das principais incógnitas diz respeito às reais pretensões do Brasil no CDS.



Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia, lembrou que a proposta de criação do CDS surgiu exatamente no dia 1º de março de 2008, dia em que o Exército colombiano atacou um acampamento das Farc em território equatoriano.



Vargas recordou ainda que o CDS não integra o Tratado Constitutivo da UNASUL em sua versão original.



O debate coordenado pela professora Maria Celina D’Araújo, da PUC/RJ, contou ainda com a participação de Marcela Donadio, da RESDAL, e de José Luiz Navárez, do ministério da Defesa do Equador.



Eles participam em Brasília, do ENABED IV, encontro das associações de estudos de Defesa, promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República.



A organização do evento lembra que novas institucionalidades na área de Defesa surgiram nos anos 90, como a Conferência de Ministros da Defesa das Américas que neste ano chega a sua nova edição.



Além disso, houve um processo de redefinição da Junta Interamericana de Defesa (JID), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).



Na América do Sul, o Conselho Sul-Americano de Defesa (CDS), surge como a principal novidade e carrega consigo os desafios de promover a construção da confiança regional, subordinação do poder militar ao poder civil e democrático, cooperação na área de Defesa e compromisso com a paz, a democracia e o desenvolvimento.



Objetivos específicos



José Luiz Navárez, explicou que o CDS tem como objetivos específicos, fortalecer a adoção de medidas de confiança, intercâmbio e cooperação no âmbito da indústria de Defesa e intercambiar experiências sobre os processos de modernização dos ministérios da Defesa e das Forças Armadas.



Ele reconheceu que a construção de consensos é complicada, mas destacou os avanços como a discussão em torno de uma doutrina regional para a Defesa, algo que sempre veio de fora.



Para Marcela Donadio, da Rede de Estudos em Defesa (RESDAL), a grande incógnita para a América do Sul reside no pensamento brasileiro sobre o Conselho.



Na sua avaliação, há mais ceticismo que otimismo.



Donadio explicou que a JID, por exemplo, carece de credibilidade por conta da falta de vontade dos países membros em entregar informações e dados sobre gastos militares.



“No plano bilateral há mais avanços. Muitos países trabalharam à margem de certos mecanismos institucionais e avançaram por meio de acordos de cooperação”, explicou.



Um exemplo: Argentina e Chile, modelo que o CDS utiliza.



Marcela Donadio revelou que há um ano, o que se dizia do CDS era que se tratava de um mecanismo criado para expandir a indústria de Defesa do Brasil.



Ela reclamou ainda do desinteresse brasileiro pelo Centro de Estudos Estratégicos que funcionará em Buenos Aires.



Na opinião de Alejo Vargas, um desserviço para a UNASUL foi a eleição do ex-presidente Nestor Kirchner como Secretário-Geral do órgão.



“A Secretaria da UNASUL funciona em Quito, ele vive em Buenos Aires com projetos políticos e em agosto a UNASUL será comandada da Guiana”, afirmou.



Vargas também enfatizou que para a Colômbia é inaceitável que a UNASUL e o Grupo do Rio rivalizem com a OEA.



Segundo ele, “se o CDS se afastar de uma atuação político-ideológica, tem condições de contribuir com a distensão na região. Para isso, temos que colocar na mesa todos os acordos de cooperação militar, da Colômbia com os Estados Unidos, dos Estados Unidos com o Brasil, do Brasil com a França, e da Rússia e China com a Venezuela”.

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