Opinião

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04/11/2011
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Contra-inteligência versus desinteligência

Contra-inteligência versus desinteligência

Marcelo Rech

No dia 19 de outubro, a revista Carta Capital publicou reportagem sobre a existência do Manual de Campanha – Contra-inteligência, de responsabilidade do Exército Brasileiro.

O documento, segundo a publicação, destina-se à espionagem de todos os cidadãos, brasileiros e estrangeiros. Todos os que não usam farda, seriam considerados inimigos do Estado.

Carta Capital é uma revista de esquerda. Sua orientação editorial é essa. Durante os oito anos do governo Lula, esteve ao seu lado, servindo inclusive para atacar os críticos do presidente.

Na recente campanha eleitoral, trabalhou para Dilma Rousseff e após sua eleição, reafirmou o compromisso de estar ao lado do governo mais uma vez.

Trata-se de uma postura legítima, embora questionável para uma publicação dedicada a informar a sociedade e formar opinião.

Estranho seria se as Forças Armadas não tivessem um Manual de Campanha. O que a reportagem tenta é colocar a sociedade contra os militares.

O Brasil viveu quase 30 anos sob um regime militar responsável por alguns dos momentos mais negros de nossa história. Estamos vivenciando um debate acerca desse período.

No entanto, as Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – são consideradas as instituições mais confiáveis pelos brasileiros. E não se trata de imagem forjada.

Assim como os políticos estão entre os menos confiáveis, os militares gozam do respeito e admiração das pessoas em todos os cantos do país. Nas regiões mais longínquas, os militares são o Estado brasileiro.

Em sua reportagem, Carta Capital semeia o ridículo com o propósito único de nos fazer acreditar que os militares além de torturadores são retardados.

A desinteligência da publicação presta um imenso desserviço ao país. Coisa típica de quem não se dá ao trabalho de entender a sensibilidade dos fatos e a importância dos meios.

O Brasil caminha para ser a quinta economia do planeta em poucos anos. Acabamos de descobrir o pré-sal. Possuímos uma das bacias petrolíferas mais ricas do mundo. Somos donos de um pólo industrial que poucos países ricos possuem. Produzimos aviões e desenvolvemos tecnologias combustíveis limpas e baratas. Somos 200 milhões de consumidores.

Imaginar que o Brasil não seja alvo de espionagem estrangeira e toda sorte de sabotagens, é no mínimo uma irresponsabilidade.

O documento existe e está aí para permitir que o país crie as condições necessárias à proteção do seu conhecimento e de sua soberania. No entanto, entre o que está escrito e os interesses pessoais, temos a interpretação.

Cerca de 27% do território nacional está localizado em áreas de fronteira. São 588 municípios de onze estados limítrofes com dez países, num total de 17,8 mil km de extensão. Mais de dez milhões de brasileiros vivem na faixa de fronteira.

Os três maiores produtores de drogas do planeta – Peru, Colômbia e Bolívia – fazem fronteira com o Brasil.

Alguns dos reflexos do narcotráfico no país: crimes conexos, Brasil como eixo de escoamento e consumo, aumento da violência, e cooptação das Forças Armadas e órgãos de Segurança Pública.

Em torno do crime organizado nós temos o narcotráfico, o tráfico de armas e munições e as organizações criminosas. A partir delas, os jogos de azar, o tráfico de pessoas, a prostituição, seqüestros, roubos e assaltos, crimes financeiros, lavagem de dinheiro e contrabando e descaminho.

De acordo com a Estratégia Nacional de Defesa, a política de defesa nacional deve pretender: dissuadir a concentração de forças hostis nas fronteiras terrestres, nos limites das águas jurisdicionais brasileiras, e impedir-lhes o uso do espaço aéreo nacional. Adensar a presença de unidades do Exército, da Marinha e da Força Aérea nas fronteiras.

É possível imaginar isso sem inteligência? E, diante de fatos concretos, como agir se o país não possui uma estratégia de contra-inteligência?

Apenas o Comando Militar da Amazônia é responsável por 11.192 km de fronteira.

A Marinha passa 238 dias do ano em operações de patrulhamento (65% do ano). O Exército, 259 dias ou 71% do ano em operações planejadas nas fronteiras do país, e a Força Aérea, 102 dias ou 28,3% do ano. A FAB passa 1.450 horas anuais vigiando apenas a faixa de fronteira brasileira.

As Forças Armadas atuam de acordo com o amparo legal, em respeito ao Estado de Direito. Têm um papel Constitucional e o desempenham apesar dos recursos e das condições materiais e logísticas.

Agora, graças à Carta Capital, a estratégia militar brasileira para neutralizar a espionagem estrangeira corre o mundo.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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