Brasil

Política
14/12/2016
Economia Regional
14/12/2016

Cooperação Científica

Cooperação com o Chile transforma o padrão da astronomia brasileira

Brasília – A cooperação com o Chile está transformando o padrão da astronomia brasileira e a  Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) quer estreitar ainda mais as relações com instituições chilenas para ampliar os esforços de pesquisa em áreas estratégicas.

“Nossas parcerias científicas continuam fortemente centradas em instituições dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. Precisamos nos aproximar mais dos países vizinhos da América do Sul”, afirmou José Goldemberg, presidente da FAPESP.

As afinidades científicas entre o Brasil e o Chile estiveram em pauta no Workshop FAPESP-Conicyt, realizado no dia 7 na sede da instituição. O Conicyt é a Comisión Nacional de Investigación Científica y Tecnológica, do Chile, e o encontro buscou estimular novas colaborações entre pesquisadores brasileiros e chilenos nas áreas de astronomia, oceanografia, agroindústria e nanotecnologia.

O encontro desenvolveu-se em apresentações conjugadas de pesquisadores chilenos e brasileiros, que contemplaram as quatro áreas de interesse. A área na qual as colaborações estão mais avançadas é, sabidamente, a de astronomia. E o motivo, como explicou Luis Chavarría, diretor do Programa de Astronomia da Conicyt, é que as condições geográficas fizeram do Chile a meca dos astrônomos contemporâneos.

Segundo ele, “a formidável barreira constituída pela Cordilheira dos Andes, que bloqueia a massa de ar úmido proveniente do Atlântico, e a Corrente de Humboldt, que resfria o Pacífico e inibe a evaporação, tornaram o céu do norte chileno extremamente seco e límpido, propício para a observação astronômica”.

A FAPESP informou que grandes consórcios astronômicos internacionais, como o Gemini, cujas operações se iniciaram em 2004 com dois telescópios “gêmeos”, um nos Andes chilenos e outro no Havaí, e o Soar (Southern Observatory for Astrophysical Research), inaugurado nos Andes chilenos em 2005, mudaram o padrão da astronomia mundial baseada no solo, assim como o Telescópio Espacial Hubble, colocado em órbita em 1990, havia mudado o padrão da astronomia realizada no espaço.

Projetos ainda mais ambiciosos estão agora em construção, como o GMT (Giant Magellan Telescope), com setes espelhos que, em conjunto, comporão uma área coletora de 25,4 metros de diâmetro, capaz de gerar imagens até 10 vezes mais nítidas do que as do Hubble; o Alma (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), com 66 antenas de alta precisão, que deverão operar a 5 mil metros acima do nível do mar, no Deserto de Atacama; o E-ELT (European Extremely Large Telescope), coordenado pelo European Southern Observatory (ESO), com espelho primário também composto, de 39 metros de diâmetro; e o Thirty Meter Telescope (TMT), administrado pelo California Institute of Technology e pela University of California.

Luis Chavarría explicou que “as condições meteorológicas permitirão que o Alma opere com céu claro durante 70% do ano. No total, 17 observatórios deverão estar em operação no Chile por volta de 2025”, garantiu.

A FAPESP investirá US$ 40 milhões no projeto do GMT, o que equivale a cerca de 4% do custo total estimado. Pelos termos do acordo internacional, tal aporte garantirá, para os pesquisadores de instituições paulistas, 4% do tempo de operação do megatelescópio, além de assento no conselho diretor do consórcio.

Participaram do evento o embaixador do Chile no Brasil, Jaime Gazmuri; o agregado científico do Chile no Brasil, Cesar Gatica; o coordenador do ministério das Relações Exteriores do Chile, Claudio Rojas; o diretor executivo da Conicyt, Christian Nicolai; e a executiva de projetos da Conicyt, Andrea Cibotti. Pela FAPESP, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo, Carlos Américo Pacheco; o diretor científico, Carlos Henrique de Brito Cruz; a assessora especial da Diretoria Científica, Marilda Solon Teixeira Bottesi; e a gerente de área para colaborações em pesquisa, Glenda Mezarobba.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *