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Cooperação em Defesa: a Rússia aposta no seu armam

Cooperação em Defesa: a Rússia aposta no seu armamento

Marcelo Rech

Na quarta-feira, 16, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, estará no Brasil acompanhado por seu vice, Anatoli Antonov, responsável pelas Relações Internacionais, para tentar fechar a compra pelo Brasil de três baterias dos sistemas de defesa aérea Pantsir-S1 e duas baterias de defesa aéreas portáteis Igla.

A delegação russa terá reuniões com o ministro Celso Amorim, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e, possivelmente, com a presidente Dilma Rousseff, para discutir os aspectos técnicos do acordo.

De Brasília, os russos seguem para o Peru que deverá confirmar a aquisição de 110 tanques T-90 e BTR-80ª. Os contratos poderão ultrapassar os US$ 1,7 bilhão.

Em janeiro, o general De Nardi chefiou missão do ministério da Defesa que esteve em Moscou quando foram iniciados os entendimentos. De acordo com fontes russas, os brasileiros manifestaram interesse nas características destes armamentos, suas condições de operação e os custos de manutenção.

Confiantes, os russos acreditam que o sistema de defesa aérea oferecido irá garantir a segurança da Copa do Mundo de 2014.

Além das baterias, os russos querem abrir o mercado latino-americano a partir do Brasil para os seus demais armamentos, como o S-300, um sistema de misseis antiaéreos capaz de proteger o espaço aéreo de qualquer país. Especialistas concordam que nenhum caça moderno – F-15, F-16, F/A-18 e os caças de 5ª geração F-22 e F-35 – pode confrontar os sistemas de defesa aérea da Rússia.

O S-300 é um sistema de mísseis superfície-ar de longo alcance, projetado para a defesa contra aviões e mísseis de cruzeiro. Trata-se do equivalente ao Patriot norte-americano, implantado pela ex-URSS em 1979 e pensado para a defesa das grandes instalações industriais e administrativas, bases militares, e de controle do espaço aéreo.

O sistema é capaz de destruir mísseis balísticos, e é considerado um dos mais potentes sistemas antiaéreos existentes. Seus radares têm a capacidade de monitorar simultaneamente até 100 alvos e engajar até 12 ao mesmo tempo. Eles ficam em contêineres fechados e não necessitam de manutenção ao longo do seu ciclo de vida.

Os sistemas utilizam radares 30N6 ABA LID ou 3R41 Volna. O 30N6 guia até quatro mísseis ao mesmo tempo contra quatro alvos, podendo rastrear até 24 alvos de uma vez. Os mísseis são lançados verticalmente e, em seguida, tombam na direção do alvo, sendo dirigidos por uma combinação de aletas e através de vetoração de empuxo.

As últimas versões do S-300 podem engajar alvos aéreos a até 200 km de distância, e o S-400 até 400 km com capacidade para derrubar aeronaves e mísseis de cruzeiro. O sistema é capaz de interceptar até 24 alvos ou até 48 mísseis.

Já o Tor-M2E é a mais recente geração de um sistema de defesa com mísseis terra-ar, considerado o mais eficaz modelo em operação no mundo. Serve para abater aviões, helicópteros, armas de alta precisão e mísseis, usando radar. Sendo de curto alcance, tem por objetivo proteger cidades e instalações estratégicas.

Por cerca de US$ 10 milhões, também se pode adquirir um sistema de mísseis Club-K. Chamado de “arma estratégica acessível” foi projetado para atingir alvos de superfície e terrestres com mísseis de cruzeiro. O sistema pode ser instalado em bases costeiras, navios de superfície e embarcações de diferentes classes, trens e veículos de transporte.

O Club-K Missile System possui um lançador com quatro mísseis e pode ser usado contra alvos de superfície e marítimos, o que tem provocado grandes temores entre os analistas militares da OTAN uma vez que tem capacidade para mudar por completo as regras da guerra moderna.

Inclusive, dezenas de estrategistas garantem que se o Iraque tivesse um sistema como este, a invasão pelos Estados Unidos teria sido impossível.

Por fim, uma empresa russa dedicada ao desenvolvimento de armamentos de mísseis táticos desenvolveu uma nova geração de armas guiadas, com destaque para o míssil RVV-BD, capaz de atingir todos os alvos aéreos a uma distância de 200 km e a alturas entre 15 m e 25 km.

Também o míssil de alta velocidade da família X-31 antirradiação e antinavio, alcançam entre 180 km e 250 km, podendo ser utilizado fora do alcance dos sistemas antiaéreos inimigos atuais e futuros. Importante assinalar que o Patriot norte-americano tem alcance de 80 km.

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org

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