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Cooperação espacial marca relações Brasil–Ucrânia

Cooperação espacial marca relações Brasil – Ucrânia

Indicado para a embaixada do Brasil em Kiev, o ministro Antonio Fernando Cruz de Mello, afirmou que as ações bilaterais estão voltadas a estruturação plena da binacional Alcântara Cyclone Space, prevista no tratado firmado em 21 de outubro de 2003.

O acordo prevê a construção do Veículo Lançador de Satélites (VLS) Ciclone-4, a partir do Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão.

Segundo ele, no ano passado os esforços foram concentrados na fase de preparação da infra-estrutura terrestre e portuária com os estudos de topografia, composição do solo e de impacto ambiental.

As operações da empresa binacional tiveram início com a realização das primeiras reuniões dos conselhos de Administração e Fiscal.

Ele reconheceu que o atraso na implementação do acordo, poderá prejudicar não apenas a cooperação bilateral, mas também outras negociações em curso no país na área espacial, a viabilização econômica de Alcântara e o desenvolvimento do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

As dificuldades dizem respeito à questão fundiária que envolve os quilombolas residentes na região do Centro de Lançamentos.

Em maio do ano passado, foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa do Centro Espacial de Alcântara, que pretende respaldar politicamente o Programa Espacial Brasileiro.

De acordo com o Itamaraty, “a frente poderá conferir maior visibilidade política à cooperação com a Ucrânia, ao desenvolvimento do Centro de Lançamentos de Alcântara e ao Programa Espacial Brasileiro, bem como contribuir para a superação de entraves que têm atrasado a implementação do projeto bilateral”.

Biocombustíveis

A Ucrânia tem interesse no know how brasileiro para produzir etanol e biodiesel e a Petrobras pretende investir na exploração e produção conjuntas de petróleo e gás no Mar Negro e o transporte dutoviário desenvolvido pela Ucrânia.

Além disso, o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro prevê a construção de 42 navios. Após a assinatura do contrato entre Brasil e Ucrânia, serão iniciadas a construção de 16 unidades.

Os petroleiros fabricados no Brasil vão permitir uma redução nos gastos com o fretamento de embarcações estrangeiras, da ordem de US$ 10 bilhões anuais. Apenas a Petrobras gasta cerca de US$ 1,2 bilhão com esse tipo de aluguel.

Comércio

Brasil e Ucrânia bateram em 2008 a barreira de US$ 1 bilhão na corrente de comércio e as perspectivas, segundo o ministério das Relações Exteriores é de ampliar ainda mais esse volume que em 2007 foi de US$ 651,5 milhões, com um déficit de US$ 104,5 milhões para o Brasil.

A Ucrânia mantém embaixada residente em Brasília desde 1993. A representação brasileira em Kiev é de 1995.

Cerca de 450 mil ucranianos e descendentes diretos vivem no Brasil, com destaque para a comunidade fixada no Paraná, a terceira no mundo depois dos Estados Unidos e Canadá.

O governo brasileiro reconheceu a independência da Ucrânia em dezembro de 1991 e as relações diplomáticas foram estabelecidas em 11 de fevereiro de 1992.

Contudo, o Brasil não reconheceu o país como sucessor da extinta União Soviética, nem a validade, no que se refere à Ucrânia, dos acordos bilaterais assinados com a URSS.

Centro de Lançamentos de Alcântara é espionado

Em sua edição de sábado, 11, o jornal Correio Braziliense, revela que o Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, poderia ter sido espionado por agentes franceses. A constatação seria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

De acordo com um relatório elaborado pela Abin, bóias de captação de dados sigilosos teriam sido instaladas próximas à comunidades de quilombolas.

As bóias de fabricação japonesa e espanhola, foram descobertas em outubro e carregavam equipamentos de telemetria em condições de captar e enviar dados à distância.

O mercado de lançamento de foguetes gira em torno de US$ 1 bilhão por ano e o Brasil mantém em Alcântara, um sítio onde desenvolve um foguete em cooperação com a Ucrânia. Foi constituída uma empresa binacional para gerenciar os termos do acordo.

De acordo com a reportagem, a Abin não concluiu quem espionou Alcântara, mas supõe que franceses seriam os responsáveis pelos equipamentos encontrados.

Os Estados Unidos foram os primeiros a negociar o uso de Alcântara, mas o acordo não foi aprovado pelo Congresso e repousa em alguma gaveta do Legislativo à espera do Executivo que deve renegociar os termos da cooperação.

Alcântara está localizada numa área onde o consumo de combustível para o lançamento de foguetes por chegar a 30%.

Em agosto de 2003, uma explosão com o protótipo do Veículo Lançador de Satélites (VLS), matou 21 cientistas brasileiros e emperrou de vez o desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil.

Na época, levantou-se a possibilidade de sabotagem, mas o assunto acabou morrendo de inanição.

Brasil e Ucrânia pretendem lançar o primeiro foguete da parceria, em julho de 2010, mas a inteligência militar brasileira também suspeita de organizações não-governamentais que atuam em defesa dos quilombolas.

Elas poderiam estar a serviço de governos estrangeiros interessados no fracasso da cooperação com a Ucrânia.

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