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Cooperação militar norte-americana no Paraguai preocupa

A possível instalação de uma base militar norte-americana no país vizinho voltou a gerar polêmicas no Congresso. Deputados e senadores estão preocupados com os termos da cooperação assinada entre Estados Unidos e Paraguai e até o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que deveria falara sobre o assunto no Congresso, afirmou que o Paraguai não pode desrespeitar o Mercosul.

Vários deputados consideraram legítimas as afirmações do chanceler brasileiro, que exigiu transparência por parte do Paraguai quanto ao seu acordo militar com os Estados Unidos. Amorim foi além ao deixar claro que considera desnecessária a instalação de uma base militar norte-americana no país vizinho.

O ministro reagiu à reportagem publicada pelo jornal argentino Clarín, em sua edição de domingo, 11. Segundo o jornal, um dos principais da Argentina, o governo paraguaio permitiu o desembarque de 400 fuzileiros que devem permanecer no Paraguai até dezembro do ano que vem, quando participarão de 13 exercícios militares conforme o InfoRel vem informando desde 8 de julho.

Em documento entregue a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a chancelaria paraguaia esclarece que não há previsão para a instalação de uma base militar na região do Chaco. Além disso, assegura que os soldados norte-americanos não teriam imunidades em território paraguaio, o que é desmentido pelo jornal argentino.

Os soldados receberam imunidade diplomática e não poderão ser julgados no Paraguai por supostos crimes, militares ou não. De acordo com o Itamaraty, essa decisão reascende as suspeitas sobre a possível instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai. O governo daquele país nega, mas o vice-presidente paraguaio não descarta a idéia.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, “o Paraguai é um país soberano, mas que tem obrigações firmadas com o Mercosul”. Par o chanceler, essas informações são “preocupantes”, inclusive por que há declarações de autoridades paraguaias que manifestaram a intenção de firmar um pacto de livre comércio com os Estados Unidos, o que fragiliz o Mercosul e abre margem para que os norte-americanos fiquem raízes nas proximidades da fronteira com o Brasil.

Para a deputada Maria José Maninha [PT-DF], as preocupações do ministro Celso Amorim procedem. Segundo ela, “pelo que estamos percebendo, o Paraguai não está colocando nenhuma restrição à permanência dos soldados norte-americanos, que contam com imunidade diplomática. É uma situação que, pelo menos, o Paraguai deveria ter apresentado às instâncias do Mercosul e não o fez. O chanceler está correto em questionar o governo paraguaio”, afirmou.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara já aprovou requerimento da deputada, convidando Celso Amorim e José Alencar, para exporem à Câmara, o posicionamento oficial do Brasil em relação ao tema.

Maninha teme que a intenção de se instalar uma base militar norte-americana em território paraguaio seja factível e os países-membros do Mercosul, segundo ela, devem cobrar explicações do Paraguai.

Já o deputado Doutor Rosinha [PT-PR], ex-presidente da Comissão Parlamentar do Mercosul, reconheceu que a atitude paraguaia causa apreensão. Na sua opinião, os Estados Unidos não estão preocupados apenas com o financiamento do terrorismo que sairia da Tríplice Fronteira, mas com a ascensão dos movimentos sociais nos países da América Latina, dispostos a eleger presidentes mais comprometidos com as causas sociais e populares.

Na sua opinião, “isso causa desagrado à política dos Estados Unidos, que oferece ajuda entre aspas a países menores e mais pobres, como o Paraguai, em troca da exigência da permanência militar”, com o objetivo de intimidar e controlar a atuação desses movimentos dentro do país ocupado e buscar informações em países vizinhos. “É a primeira vez que um Estado concede imunidade diplomática a soldados”, revelou.

Os senadores Pedro Simon [PMDB-RS] e Efraim Morais [PFL-PB], também cobram uma posição oficial do governo brasileiro. Simon citou que a provável base militar dos Estados Unidos, próxima da Usina Binacional de Itaipu, pode representar uma ameaça aos interesses do Brasil e do Mercosul.

Efraim Morais protocolou requerimento de informações que foi encaminhado ao ministro Celso Amorim. No documento, ele apresenta 12 perguntas ao chanceler. Oficialmente, o Brasil acompanha o tema com respeito à soberania paraguaia, mas não descarta tomar uma providência caso alguma norma do Mercosul seja violada.

Latinoamerica: La polemica ante la presencia de tropas de EE.UU en territorio paraguayo

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Base militar dos Estados Unidos no Paraguai gera polêmicas

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