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Cooperação Sul-Sul: capacidades e necessidades

04 de janeiro de 2012
por: InfoRel

Mohsen Shaterzadeh



O mundo atual assiste a evoluções essenciais e mudanças básicas na ordem internacional. De um lado assistimos a morte do unilateralismo e de outro assistimos a emergência de um mundo multipolar, ou até um mundo sem pólo.



O surgimento de novas forças no Oriente e no Ocidente, desafiando a ordem de dominação e as potências dominantes do Ocidente, e o aparecimento das novas ideias na projeção da ordem mundial são demonstrativos destas mudanças.



A República Islâmica do Irã e a República Federativa do Brasil, como dois países fortes no clube das forças emergentes no Oriente e no Ocidente, podem ser a origem das novas evoluções no mundo atual. O desenvolvimento de duas cooperações em todos os sentidos abrirá um novo capítulo na Cooperação Sul-Sul.



A República Federativa do Brasil, como uma das dez grandes economias do mundo, com uma população de cerca de 200 milhões de habitantes e produto interno bruto de mais de US$ 1.6 bilhões, grandes recursos minerais e energéticos, alto conhecimento tecnológico e participação eficiente nos processos internacionais, tem uma presença forte no hemisfério ocidental, é um membro importante no clube de potências emergentes.



Do outro lado, a República Islâmica do Irã, como o maior país do Oriente Médio, com uma população de mais de 70 milhões de habitantes, tendo grandes recursos energéticos (tem a segunda maior jazida de gás e é a quarta maior jazida de petróleo do mundo), 16ª economia do mundo, dominando conhecimento e tecnologia avançados e com papel influente no Oriente Médio, Ásia Central e Golfo Pérsico, tem destaque de potência nesta região.



A sensibilidade da cooperação entre os dois países surge pelas especificações e vantagens que possuem neste mundo novo, o que pode mais que nunca fortalecer as bases das cooperações sul-sul.



As potências e grandes capacidades existentes nos países do sul e as vantagens e necessidades desta cooperação não são desconhecidas por ninguém. Porém neste artigo observamos alguns desses pontos:



Potenciais e capacidades existentes nos países do sul: existência de enormes recursos energéticos; existência de matérias primas e inúmeras minas; baixo custo de mão-de-obra; existência de recursos humanos formados, com conhecimento e altas especialidades (atualmente muitos deles estão a serviço nos países do norte, mas no fundo gostariam de servir no seu próprio país); custo menor da produção; grande capacidade de comércio entre os países do sul; enorme população do sul (75% da população mundial).



Todos estes potenciais e privilégios econômicos exigem que o processo de produção assim com o valor agregado continue nestes países. Vendo as estatísticas, fica claro que o mundo atual é escravo de uma nova forma de exploração e colonização.



Vencer a esta situação é uma necessidade inevitável. Um estudo sobre as grandes empresas multinacionais conhecidas demonstra que a maior parte das suas produções vêem dos países do sul, mas os países do sul não usufruem do valor agregado dessas produções.



Um terço dos produtos brutos internacionais pertence às grandes marcas que estão nos países do norte, mas produzem nos países do sul. O valor de produtos de 100 grandes marcas no mundo é igual ao produto interno bruto de 65 países do sul.



No entanto, a renda dos países produtores do sul é 20 vezes menor do que a renda das grandes empresas, ou seja, este tipo de relacionamento cruel chama-se nova forma de exploração e colonização no século 21 e no mundo moderno atual.



O crescimento econômico sustentável depende das relações humanas sem exploração e sem colonização e governança da justiça social a este relacionamento.



Necessidades e procedimentos da cooperação Sul-Sul



É necessário que o valor agregado dos produtos desde a matéria prima até o produto final fique entre os países do sul.



Que o conhecimento técnico e a tecnologia que estavam no monopólio dos países desenvolvidos, se expandam nos países do sul. Dos países do sul, os que são mais desenvolvidos e que possuem a tecnologia e os conhecimentos novos devem quebrar este monopólio e dar acesso aos outros países para possibilitar o desenvolvimento e bem estar da população destes países.



Os países do sul devem, conforme os privilégios proporcionais que têm nas diferentes áreas de recursos naturais, geração de energia, mineração e produtos primários, trabalhar para desenvolver intercâmbios comerciais e de suprimento das necessidades de um e de outro e eliminação das carências. Preparação de maiores facilidades e projeções de programas de intercâmbio comerciais entre os países do sul são de grande importância.



Existem, hoje, grandes capacidades nas diferentes áreas de indústria, agricultura, e pesquisa científica nos países do sul. Isso pode proporcionar o processo de cooperações, execução de grandes projetos nos diferentes setores da energia, indústria, mineração, agricultura, transporte, construção de estradas e construção civil pelas empresas e especialistas dos próprios países do sul, e projetar um futuro melhor para os povos carentes e também execução de projetos internacionais.



Devem ser consideradas as atividades na área de finanças como um instrumento importante para o desenvolvimento. Criação de bancos conjuntos, seguros conjuntos, instituições financeiras e cooperação nos mercados de bolsas no mundo do sul são das necessidades inevitáveis, por que serão o leito de todo o desenvolvimento e execução dos projetos de grandes infra-estruturas nos países do sul.



Tendo em vista a importância de transporte para intercâmbio dos produtos e desenvolvimento comercial entre os países do sul, devem ser incluídos na pauta de trabalho dos líderes a criação de empresas conjuntas de transporte aéreo, marítimo ou terrestre.



Fundos de desenvolvimento para a eliminação das carências e da pobreza, desenvolvimento da saúde e educação e expansão dos meios culturais, podem ser criados com o esforço de um grupo de líderes dos países do sul.



Certamente estas necessidades são abordadas pelos líderes solidários e populares dos países do sul que se preocupam com o desenvolvimento dos seus países e o bem estar das nações.



Uma aproximação e solidariedade cada vez maior destes líderes poderá preparar o terreno para a realização de cada uma dessas ideias.



Mohsen Shaterzadeh, 52, é doutor em Engenharia de Materiais e o Embaixador do Irã no Brasil



 

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