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05/10/2005
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05/10/2005

Paraguai

Coronel norte-americano nega instalação de base militar

O Tenente-Coronel Robert Fagan, do Exército dos Estados Unidos, instrutor da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército brasileiro [ECEME], no Rio de Janeiro, afirmou ao InfoRel, que o seu país não tem a intenção de instalar uma base militar na região do Chaco, no Paraguai.

A suposta base seria construída no município de Mariscal Estigarribia, onde há uma pista de pouso operacional com 3.680 metros de comprimento por 75 de largura. Nesta quarta-feira, foram iniciados exercícios militares em Cerrito, na região do Chaco, com 40 militares e duração de um mês.

Segundo o ministério da Defesa, o Brasil não possui elementos para afirmar que os Estados Unidos estariam planejando a instalação de uma base militar no país vizinho. De acordo com o MD, o que existe é um acordo de cooperação militar antigo, entre os dois países.

Pelo acordo, não há previsão de se manter pessoal norte-americano na região, mas os militares que participam dos exercícios receberam imunidade diplomática por parte do governo paraguaio e em caso de ‘acidentes’ só poderão ser julgados nos Estados Unidos.

A pista

A pista na verdade é parte de um antigo aeroporto construído em 1982, sob o governo do general Alfredo Stroessner. Segundo militares brasileiros ouvidos pelo InfoRel, ex-ditador paraguaio pretendia transformar a bucólica Mariscal, num grande entreposto comercial, uma espécie de Ciudad del Este.

“As Forças Armadas dos Estados Unidos cooperam há mais de 20 anos com os países latino-americanos, realizando vários exercícios de operações de manutenção da paz, contra o terrorismo, o narcotráfico e operações humanitárias e de auxílio contra desastres naturais”, afirmou Robert Fagan.

De acordo com o Comando Sul, o destacamento das Forças Armadas dos Estados Unidos para a América do Sul, as prioridades que já foram apenas a Colômbia e Cuba, agora estão voltadas para a guerra contra o terrorismo, regionalização da cooperação multinacional, operações conjuntas e a transformação e modernização das forças dos países da região.

Segundo Fagan, “os Estados Unidos nunca entram num país sem permissão, um acordo firmado com bastante planejamento e com cooperação bilateral. Nunca é uma ação unilateral na América Latina. Sempre respondemos aos convites que nos são feitos e somos obrigados a dizer não por que não dispomos de meios para atender a todos os pedidos”.

Inquietação

Os paraguaios estão divididos quanto à polêmica. De acordo com o presidente Nicanor Duarte, seu país tem todo o direito de firmar o tratado que quiser com quem desejar. “Somos independentes desde 1811”, tem repetido.

Há também quem acredite que a possível instalação de uma base militar norte-americana no país não passe de exagero da imprensa e da própria população de Mariscal, cidade com pouco mais de três mil habitantes.

No entanto, o assunto preocupa até mesmo os parceiros do Mercosul e a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados deve realizar ainda este mês, audiência pública com os ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores, e José Alencar, da Defesa [demissionário], para saber detalhes sobre o assunto.

Por outro lado, diplomatas brasileiros afirmam que o acordo de cooperação militar celebrado entre Estados Unidos e Paraguai pode conter cláusulas secretas, onde residem as dúvidas da população local e dos demais países sul-americanos.

Segundo analistas, o fato da pista estar localizada no eixo do subcontinente, ser operacional durante todo o ano e distante apenas 2h30 de vôo de Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro, e 1h de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, por exemplo, alimentam a inquietação. Acredita-se que serão disponibilizados radares novos, visualização por satélite e pelo menos 50 militares norte-americanos no local.

Esses mesmos analistas disseram ao InfoRel que não acreditam na possibilidade de se mobilizar cinco mil soldados norte-americanos para a região, até pelos custos financeiros, mas alertam: no curto-prazo, a prioridade é Ciudad del Este, considerada pelo governo Bush como um santuário de terroristas e simpatizantes que financiam ações contra os Estados Unidos e seus aliados.

“Eu não posso imaginar um deslocamento de tropas ou esta pista sendo utilizada por tropas norte-americanas, por que não é parte do que o governo dos Estados Unidos estão planejando”, reiterou o coronel.

No entanto, militares brasileiros acreditam que a agenda norte-americana está sendo implantada nos exercícios conjuntos com militares paraguaios. Esses exercícios seriam focados para a luta contra o terrorismo.

A pista de pouso do aeroporto Luiz Maria Argaña, embora abandonada, tem capacidade para receber aviões de grande porte como os bombardeiros B-52 e os cargueiros C-5 Galaxy. Robert Fagan disse que os Estados Unidos foram convidados para reformarem a pista e descartou qualquer possibilidade do seu governo trabalhar para ter uma base militar no Paraguai.

“O que está acontecendo no Paraguai é cooperação com um convite daquele governo para a realização de uma série de exercícios militares e humanitários. Serão construídos poços de água, escolas, planejadas operações de manutenção de paz e a reforma da pista de pouso. Não há presença permanente de militares dos Estados Unidos no Paraguai”, afirmou o coronel Fagan.

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