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Terremoto

15 de janeiro de 2010
por: InfoRel

De acordo com a Transparência Internacional, o Haiti é o 4º país mais corrupto do mundo e a corrupção pode ser determinante para que os mais de US$ 350 milhões liberados para a reconstrução do país não se traduzam em obras e ações concretas.



No ranking da organização, apenas a Somália (1º), Myanmar (2º) e Iraque (3º), seriam mais corruptos que o Haiti.



No dia 21 de dezembro do ano passado, a Conferência Episcopal do Haiti apelou às autoridades do país para que colocassem fim à corrupção e à hipocrisia.



A entidade manifestou ainda o seu apoio às eleições legislativas marcadas para fevereiro, mas que devem ser adiadas.



O Brasil anunciou a doação de US$ 15 milhões. Os Estados Unidos doarão US$ 100 milhões, mesmo valor anunciado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).



Nesta quinta-feira, começaram a chegar a Porto Príncipe as primeiras equipes de salvamento, médicos e doações de alimentos, água e medicamentos, no entanto, não há organização para que haja distribuição e atendimento à população.



O cenário é de caos e as gangues armadas começam a se reorganizar.



As agências internacionais vinculadas à ONU e organizações não governamentais atuam de acordo com as possibilidades. A maioria das ruas da capital continuam obstruídas por escombros e corpos.



O Comitê Internacional da Cruz Vermelha estima em pelo menos 50 mil os mortos, mas esse número poderá passar dos 100 mil quando os trabalhos de resgate forem efetivados em toda a cidade.



Reconstrução



Segundo a Minustah, o Haiti recebe por ano US$ 1 bilhão em doações do exterior. Cerca de 65% do orçamento do país vem de recursos internacionais.



Além dos US$ 15 milhões anunciados nesta semana, o Brasil prevê o repasse de US$ 12 milhões até 2011 para a implementação de 40 programas sociais no Haiti.





Análise da Notícia



Marcelo Rech



Há anos o Haiti clama por socorro. Sua história é marcada por uma sucessão de crises, políticas e humanitárias.



As grandes potências que sempre espoliaram o país que já foi uma referência de luta pela liberdade, agora falam em reconstrução.



São os mesmos países que prometeram ajudá-lo quando a ONU decidiu criar uma missão de paz em 2004.



O Brasil aceitou comandá-la, mas desde o primeiro momento, advertia a comunidade internacional para a necessidade de fazer os recursos chegarem por meio de obras de infra-estrutura e ações sociais.



Àquela altura, os haitianos já estavam cansados de promessas e se sentiam envergonhados pela forma como o mundo os tratava.



Quando lá estive há pouco mais de dois meses, pude perceber como os haitianos prezam a dignidade. Se sentem humilhados por não terem o básico.



Não usam a água dos esgotos para cozinhar ou para o banho, por desleixo.



Nem comem biscoitos de barro por ignorância.



É a contingência que os obriga.



Primeiro país a alcançar a independência nas Américas (100 anos antes do Brasil), o Haiti é vítima também da corrupção.



Por conta disso, pouco chega às obras e programas que precisam ser desenvolvidos no país.



Além disso, há uma burocracia que parece praga.



Esta parece ser uma excelente oportunidade para que a comunidade internacional desperte não apenas para a necessidade de se ajudar o Haiti, mas de otimizar os recursos que são enviados.



Sem as obras necessárias, restará ao Haiti esperar pela próxima catástrofe, que pode ser natural ou humana, tanto faz.





 

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