Brasília, 15 de outubro de 2018 - 21H45

Travessia da Morte

23 de maro de 2005
por: InfoRel
João Magno

Hoje, o Brasil já não vive mais a situação que viveu no inà­cio do século, quando uma média de 7% dos seus cidadãos era imigrante. O que temos nos dias atuais, esse número chega a meros 0,6% de imigrantes.

Por outro lado, o contingente de brasileiros que saem do paà­s à  procura de melhores condições de vida e trabalho é cada vez maior. Apenas nos Estados Unidos uma média de 1,5 milhão de brasileiros trabalha e manda divisas para o Brasil.

Passado o 11 de setembro, o governo norte-americano, por meio do seu serviço de repressão, comete, em muitos lugares, uma verdadeira caça aos imigrantes, seja na fronteira com o México, ou na fronteira de outros paà­ses da América Central, inclusive na fronteira com o Brasil.

Neste momento, os brasileiros precisam do mà­nimo de atenção por parte dos órgãos governamentais. Alguma providência, com certeza, já vem sendo tomada pelo governo brasileiro, mas é preciso melhorar a situação dos consulados que continua muito precária.

Pelo menos 95% desses brasileiros, vivem em bolsões de pobreza e miséria nos Estados Unidos. Estão nas cidades de Nova Iorque, Nova Inglaterra, Califórnia e Flórida. São trabalhadores que convivem com ameaças constantes, inclusive por parte de gangs organizadas.

No entanto, os brasileiros não param de migrar e, cada vez mais, são molestados na fronteira do México. Não bastasse o violento esquema de repressão por parte do serviço de imigração norte-americano, agora há também um grupo paramilitar, formado por fazendeiros que, usando helicópteros, atiram nos brasileiros.

O governo brasileiro precisa colocar esse tema na agenda polà­tica. Recentemente, estive na cidade de Boston, precisamente na Universidade de Harvard, onde falei sobre o tema em uma conferência de três dias, e que contou com a participação do ministro Luiz Dulci. Pude ver a manifestação de brasileiros là­deres naquela comunidade que cobram o mà­nimo de dignidade à queles que lá se encontram trabalhando.

Precisamos agir para coibir esses abusos contra os direitos humanos daqueles que fazem à  travessia mesmo que ilegais. Não concordamos com nenhum tipo de travessia ilegal. Por isso, será instalada em breve a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o tema.

Já conseguimos 190 assinaturas de deputados e, no Senado, mais de 40. Esperamos apenas a decisão do presidente do Congresso, Senador Renan Calheiros [PMDB-AL], para que a CPMI seja instalada.

Pretendemos apurar os crimes cometidos contra brasileiros durante a travessia, mas também queremos uma proposta clara, visando dar mais dignidade à queles que lá trabalham que anualmente são responsáveis pelo envio de US$ 4 bilhões o Brasil.

O Brasil não pode fazer vistas grossas a essa situação. No ano passado, a terceira receita do paà­s veio dos brasileiros emigrantes. Por essa razão, essa CPMI será um especial para o Congresso, pois, além de investigar as máfias, poderá oferecer melhores condições aos brasileiros emigrantes.

João Magno é deputado federal pelo PT de Minas Gerais

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