Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 06h50

O Brasil no Mundo

06 de dezembro de 2014
por: InfoRel
Compartilhar notícia:

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), da Câmara dos Deputados, promoveu na terça-feira, 3, o aprofundamento dos debates acerca das prioridades para as políticas Externa, de Defesa e Inteligência, durante o Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades”, realizado em parceria com o Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa, a Fundação Konrad Adenauer, a União Europeia e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).



Para tanto, foram reunidos alguns dos mais renomados especialistas nas três áreas. Um documento com a síntese dos debates chegará aos futuros ministros das Relações Exteriores, Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), como contribuição às políticas que deverão ser implementadas a partir de 1º de janeiro de 2015.



O evento foi inaugurado com uma aula magna do professor Fernando Reinares, investigador principal de Terrorismo Internacional do Real Instituto Elcano de Madri e ex-assessor antiterrorismo da Espanha.



Política Externa



Especialistas em Relações Internacionais convidados para debater no Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades”, foram unânimes em afirmar nesta terça-feira, 2, que a Política Externa Brasileira fraquejou nos últimos anos por falta de planejamento e de coerência, criando uma espécie de "zona cinza", caraterizada basicamente por incertezas.



Na avaliação do sociólogo e diretor de Inteligência e Estratégia da Arko Advice, Thiago de Aragão, a postura e o papel do Brasil no mundo não estão muito claros atualmente. "O planejamento e a coerência é o que hoje não está muito claro aos olhos dos estudiosos e da comunidade internacional em relação à postura do Brasil.”



Ele acredita que “uma política externa centralizada no Itamaraty ou na Presidência da República, tem que ter coerência e planejamento, tendo em vista que a politica externa é uma política de Estado e não de governo ou de partido. Isso trará o protagonismo de volta ao Brasil que nos últimos anos acabou por sumir de certa forma".



Thiago de Aragão comentou ainda que o ativismo internacional brasileiro começou a perder força depois que a política externa de caráter personalista adotada pelo ex-presidente Lula foi perdida com a eleição da presidente Dilma Rousseff.



"A partir do momento que essa personalização no presidente Lula passou com a chegada da presidente Dilma, ficou difícil voltar ao Itamaraty essa capacidade de formulação e execução da Política Externa Brasileira, pois aí as forças e interesses políticos partidários no campo da política externa já estavam bem fortalecidos."



Já o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Creomar de Souza, criticou a dificuldade do Brasil em definir qual é o real interesse nacional em termos de política externa.



"O interesse nacional é só o interesse partidário ou é o interesse multifacetado, pluripartidário? Essa dificuldade ainda se faz presente como tomadores de decisão”, explicou. “De maneira geral, a gente pode dizer que há uma relativização de pontos fundamentais que marcam a trajetória brasileira no sistema internacional. É como se nós tivéssemos criado algumas zonas cinza dizendo: isso vale para A, mas não vale para B, que é meu amigo."



Para o cientista político e coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) Leonardo Paz, a inserção brasileira nas cadeias globais de comércio e nos grandes acordos internacionais deve estar no topo da agenda do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.



O professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro não-residente do Global Public Policy Institute (GPPi) em Berlim, Oliver Stuenkel, lamentou a passividade da Política Externa Brasileira e explicou que uma Política Externa ativa deve ser parte de um projeto nacional.



“Das grandes potências, o Brasil é um dos poucos que ainda importam notícias dos Estados Unidos e Europa e publicam rapidamente em seus grandes jornais. Formar uma opinião desta forma é algo inadmissível na Índia, por exemplo, e não há clareza de como o Brasil pretende se engajar nos temas da agenda internacional”, afirmou.



Para Stuenkel, o Brasil deve atuar com liderança para evitar que problemas como o narcotráfico ou crises energéticas afetem o país, seus interesses e o seu projeto nacional.



“Precisamos de um presidente que esteja disposto a arriscar capital político e um chanceler com autonomia, e precisamos estar na Coreia do Norte para poder opinar sobre o que condenamos de tudo aquilo que lá acontece, assim como deveríamos ter uma embaixada no Afeganistão, pois é lá que se define como lidar com estados falidos. Sem isso, não temos legitimidade para postular um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU”, advertiu.


Assuntos estratégicos

Senado paraguaio posterga para 2019 análise de leis contra o crime organizado

Senado paraguaio posterga para 2019 análise de leis contra o crime organizado

O Senado do Paraguai postergou para março de 2019 a análise de três projetos de...
Paraná inaugura Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública

Paraná inaugura Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública

Na última terça-feira, 4, a governadora do Paraná, Cida Borghetti, e o ministro...
Brasil defende aprovação de lei que congela bens de terroristas

Brasil defende aprovação de lei que congela bens de terroristas

Brasília – O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, defendeu nesta...
Paraguai intensifica combate a grupos criminosos do Brasil

Paraguai intensifica combate a grupos criminosos do Brasil

Brasília - O governo do Paraguai intensificou o combate das ramificações das...
Radares aéreos são instalados para combater tráfico de droga e armas

Radares aéreos são instalados para combater tráfico de droga e armas

Brasília - O Brasil vai instalar três radares aéreos para o controle de voos de...
Governo brasileiro oficializa extinção da binacional espacial criada com Ucrânia

Governo brasileiro oficializa extinção da binacional espacial criada com Ucrânia

Brasília - O governo brasileiro encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória...
ABIN defende constitucionalização da Inteligência e alerta para ameaças

ABIN defende constitucionalização da Inteligência e alerta para ameaças

Brasília – O Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência,...
Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Brasília – Com cerca de 30 instalações nucleares e 3.000 fontes de...
Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasília - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações...
Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de...