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06/12/2014
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O Brasil no Mundo

CREDN aprofunda debate sobre as políticas Externa, de Defesa e Inteligência

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), da Câmara dos Deputados, promoveu na terça-feira, 3, o aprofundamento dos debates acerca das prioridades para as políticas Externa, de Defesa e Inteligência, durante o Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades”, realizado em parceria com o Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa, a Fundação Konrad Adenauer, a União Europeia e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

Para tanto, foram reunidos alguns dos mais renomados especialistas nas três áreas. Um documento com a síntese dos debates chegará aos futuros ministros das Relações Exteriores, Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), como contribuição às políticas que deverão ser implementadas a partir de 1º de janeiro de 2015.

O evento foi inaugurado com uma aula magna do professor Fernando Reinares, investigador principal de Terrorismo Internacional do Real Instituto Elcano de Madri e ex-assessor antiterrorismo da Espanha.

Política Externa

Especialistas em Relações Internacionais convidados para debater no Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades”, foram unânimes em afirmar nesta terça-feira, 2, que a Política Externa Brasileira fraquejou nos últimos anos por falta de planejamento e de coerência, criando uma espécie de "zona cinza", caraterizada basicamente por incertezas.

Na avaliação do sociólogo e diretor de Inteligência e Estratégia da Arko Advice, Thiago de Aragão, a postura e o papel do Brasil no mundo não estão muito claros atualmente. "O planejamento e a coerência é o que hoje não está muito claro aos olhos dos estudiosos e da comunidade internacional em relação à postura do Brasil.”

Ele acredita que “uma política externa centralizada no Itamaraty ou na Presidência da República, tem que ter coerência e planejamento, tendo em vista que a politica externa é uma política de Estado e não de governo ou de partido. Isso trará o protagonismo de volta ao Brasil que nos últimos anos acabou por sumir de certa forma".

Thiago de Aragão comentou ainda que o ativismo internacional brasileiro começou a perder força depois que a política externa de caráter personalista adotada pelo ex-presidente Lula foi perdida com a eleição da presidente Dilma Rousseff.

"A partir do momento que essa personalização no presidente Lula passou com a chegada da presidente Dilma, ficou difícil voltar ao Itamaraty essa capacidade de formulação e execução da Política Externa Brasileira, pois aí as forças e interesses políticos partidários no campo da política externa já estavam bem fortalecidos."

Já o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Creomar de Souza, criticou a dificuldade do Brasil em definir qual é o real interesse nacional em termos de política externa.

"O interesse nacional é só o interesse partidário ou é o interesse multifacetado, pluripartidário? Essa dificuldade ainda se faz presente como tomadores de decisão”, explicou. “De maneira geral, a gente pode dizer que há uma relativização de pontos fundamentais que marcam a trajetória brasileira no sistema internacional. É como se nós tivéssemos criado algumas zonas cinza dizendo: isso vale para A, mas não vale para B, que é meu amigo."

Para o cientista político e coordenador de Estudos e Debates do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) Leonardo Paz, a inserção brasileira nas cadeias globais de comércio e nos grandes acordos internacionais deve estar no topo da agenda do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

O professor de Relações Internacionais na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro não-residente do Global Public Policy Institute (GPPi) em Berlim, Oliver Stuenkel, lamentou a passividade da Política Externa Brasileira e explicou que uma Política Externa ativa deve ser parte de um projeto nacional.

“Das grandes potências, o Brasil é um dos poucos que ainda importam notícias dos Estados Unidos e Europa e publicam rapidamente em seus grandes jornais. Formar uma opinião desta forma é algo inadmissível na Índia, por exemplo, e não há clareza de como o Brasil pretende se engajar nos temas da agenda internacional”, afirmou.

Para Stuenkel, o Brasil deve atuar com liderança para evitar que problemas como o narcotráfico ou crises energéticas afetem o país, seus interesses e o seu projeto nacional.

“Precisamos de um presidente que esteja disposto a arriscar capital político e um chanceler com autonomia, e precisamos estar na Coreia do Norte para poder opinar sobre o que condenamos de tudo aquilo que lá acontece, assim como deveríamos ter uma embaixada no Afeganistão, pois é lá que se define como lidar com estados falidos. Sem isso, não temos legitimidade para postular um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU”, advertiu.

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