Brasília, 13 de novembro de 2018 - 01h40

Crise Colômbia – Venezuela: um desafio à UNASUL

26 de julho de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



O presidente colombiano Álvaro Uribe deixa o poder no dia 7 de agosto após oito anos de governo.



Se não transformou social e economicamente o país, Uribe travou uma luta sem tréguas contra as guerrilhas, especialmente as Farc, reduzindo sua letalidade a níveis históricos.



Durante esse período, suas idas e vindas com o vizinho Hugo Chávez, colocaram a região sob tensão.



Ambos divergem em quase tudo.



Um é aliado dos Estados Unidos que nos últimos dez anos, destinou mais de US$ 8 bilhões para a luta contra o narcoterrorismo na Colômbia.



O outro chegou ao poder no final dos anos 90 após um intento fracassado de golpe de Estado e não se sabe quando deixará o poder.



Na última década, não faltaram denúncias e elementos para se acreditar que as guerrilhas colombianas atuavam extraterritorialmente, embora nunca ninguém tenha admitido publicamente isso, exceto a própria Colômbia.



No Brasil, as Farc mantêm ao menos cinco integrantes que se dividem entre Brasília, a região Sudeste e áreas fronteiriças.



Durante as três edições do Fórum Social Mundial, realizadas em Porto Alegre (RS), sob o patrocínio do Partido dos Trabalhadores (PT), ocuparam espaço, realizaram debates e firmaram alianças.



Os governos – estadual e municipal – de Olívio Dutra e Tarso Genro receberam os porta vozes das Farc com status diplomático na capital gaúcha.



Em Manaus (AM), a guerrilha é velha conhecida. Até apartamentos ocupam na cidade.



Acampamento da guerrilha no Brasil não se tem notícia, mas sua presença no país é explícita.



Olivério Medina, antigo padre católico e um dos mais importantes enlaces da guerrilha na América do Sul, recebeu do atual governo, status de refugiado o que lhe dá o direito de ter inclusive salário bancado pelo contribuinte brasileiro.



A Colômbia lutou para obter sua extradição, mas vários partidos de esquerda bancaram advogados e influenciaram na decisão do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), subordinado ao ministério da Justiça, há época ocupado por Tarso Genro.



Medina casou-se com uma brasileira filiada ao PT que do Paraná foi requisitada para trabalhar em Brasília na Secretaria Nacional da Pesca, comandado pelo partido.



O mesmo governo que foi incapaz de impedir o ingresso da guerrilha no Brasil e desta forma dar um exemplo contundente contra o narcoterrorismo, fala em mediar a crise que tem as Farc como pivô, envolvendo Colômbia e Venezuela.



Em muitos aspectos, a política externa do atual governo emite sinais contraditórios.



Escorado na Constituição que fala em autodeterminação dos povos e não ingerência, o governo escolhe cirurgicamente onde e como se meter.



Mais importante neste caso é o papel que a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), vai desempenhar.



Uma reunião extraordinária de chanceleres está marcada para 5ª feira, em Quito.



O Brasil não aceita que a crise seja solucionada com a participação de atores externos, portanto, terá de chamar para si a responsabilidade de ver Colômbia e Venezuela recompondo-se.



A Venezuela sabe que as provas apresentadas na Organização dos Estados Americanos (OEA), são fortes. Há pouca margem de manobra.



Chávez terá de aceitar os fatos e mostrar habilidade para convencer a região que os 80 acampamentos e 1.500 guerrilheiros no seu país, não têm o seu consentimento e menos ainda, financiamento.



Tanto Colômbia como Venezuela tendem a diminuir o tom até que Uribe entregue o poder ao seu ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, a quem caberá de fato, restabelecer as relações difíceis com Chávez.



O fato concreto é que as Farc constituem-se num problema regional que como tal deve ser atacado.



Colocar o tema sob a mesa num mecanismo regional que ainda não mostrou a que veio, é fundamental para a sua sobrevivência e para a credibilidade da América do Sul.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org



 

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