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Crise dos refugiados venezuelanos pressiona o Brasil

Brasília – A crise provocada pelo ingresso massivo de venezuelanos que cruzam a fronteira pelo Estado de Roraima está pressionando o governo brasileiro. Nesta quinta-feira, 8, os ministros da Defesa, Raul Jungmann; da Justiça, Torquato Jardim; e do Gabinete de Segurança Institucional, General Sérgio Etchegoyen, junto com o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Janér Tesch, discutiram a questão em reuniões realizasdas em Boa Vista (RR).

O assunto foi discutido também no Congresso. No Senado, representantes do Amazonas, Roraima e Pará, pediram ajuda ao governo federal para oferecer condições ideais aos refugiados que fogem da crise no país vizinho.

O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou que mais de mil pessoas chegam por dia a Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, e “adentram o Brasil sem nenhum controle, sem verificação de documento, sem verificação de situação sanitária”. Já o colega Telmário Mota (PTB-RR) declarou que a situação em Boa Vista é crítica. “Nós não temos mais leitos nos hospitais, já era péssimo ficou pior ainda. A segurança comprometida. A prostituição alarmante, pessoas morando em logradouros públicos”.

Para o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) o governo federal “precisa estabelecer critérios e criar condições para que possamos recepcionar de forma correta como fizemos com os haitianos”. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) declarou que no seu estado também não há estrutura para atender os venezuelanos.

Jucá acompanhou os ministros em Boa Vista e foi taxativo ao afirmar sua posição em relação ao problema: “Poderei ficar contra as decisões do governo federal, mas não ficarei contra Roraima, nem deixarei o estado abandonado em um momento desse”, declarou.

Na sua avaliação, o Brasil deveria fechar provisoriamente a fronteira com a Venezuela e realizar um censo para verificar quantos e quem são os venezuelanos que já vivem do lado brasileiro. Além disso, ele quer um estudo sobre a capacidade de absorção em Roraima de venezuelanos. O senador acredita que o país também poderia aplicar cotas para os refugiados com os demais países da região.

“Roraima não tem capacidade de receber 25 milhões de pessoas que estão na Venezuela passando fome, sem remédios, sem tratamento médico. Volto a dizer: na Venezuela, existem 25 milhões de pessoas. Se 1 milhão ou 2 milhões de pessoas se dirigirem a Roraima, acaba o Estado de Roraima, que tem 700 mil habitantes. Então, não cabe isso. É uma situação extremamente grave”, concluiu.

Telmário Mota acusou o governo federal de omissão diante da situação de colapso em seu estado, causada pela entrada em massa de refugiados da Venezuela. Ele revelou que os quatro ministros teriam se recusado a participar de encontro oficial com a governadora Suely Campos para debater a crise no estado, mas a reunião acabou acontecendo. A governadora também acusa o governo de omissão e afirma que Roraima lida com a crise há três anos e sem qualquer tipo de ajuda.

Crise humanitária

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse nesta quinta-feira, 8, que o governo federal irá ampliar a ajuda ao Estado de Roraima em busca de uma solução para a crise provocada pelo grande número de imigrantes venezuelanos, principalmente na capital, Boa Vista. Cerca de 40 mil vivem na cidade.

Jungmann também adiantou que o governo deve adotar medidas para ampliar a participação federal nas fronteiras, além de ações que possibilitem a interiorização dos imigrantes autorizados a permanecer no país, de forma a aliviar a demanda por assistência em Boa Vista. Ele confirmou a realização de um censo para auxiliar na resolução do problema.

Na sua opinião, trata-se de uma crise humanitária. O ministro conversou com alguns dos cerca de 300 venezuelanos que vivem em uma praça de Boa Vista e que vieram para o Brasil em busca de trabalho e de dias melhores. “Estas pessoas não estão aqui porque querem. Eles foram empurrados para cá. É chocante e teremos que equilibrar a questão humanitária com a situação do estado. Essa é uma situação que todo o Brasil tem que abraçar, pois não é algo com que apenas Roraima e Boa Vista têm que arcar”, acrescentou.

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