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Crises políticas sul-americanas na agenda espanhola

Marcelo Rech, especial de Madri – 

No sábado frio e chuvoso da capital espanhola, uma centena de pessoas arregimentadas pelo Núcleo do Partido dos Trabalhadores (PT), reuniu-se em Carabanchel Alto, na periferia de Madri, para denunciar o “golpe contra Dilma e Lula”. O evento contou com o apoio dos partidos políticos Izquierda Unida, Podemos e Sortu (nacionalista basco), além dos sindicatos de trabalhadores UGT e CCOO, e foi convocado para discutir qual o futuro do Brasil.

Nos panfletos distribuídos, os organizadores afirmam que desde o impeachment de Dilma Rousseff, “a população brasileira vem sofrendo com as políticas neoliberais aplicadas por um governo ilegítimo e golpista. O interesse principal desse governo é recuperar completamente o poder, o controle do país e dominar a classe trabalhadora brasileira”.

Além disso, a mesa redonda tratou de defender a candidatura presidencial de Lula e celebrar os 38 anos de fundação do PT. De acordo com diplomatas brasileiros consultados pelo InfoRel, trata-se de um movimento sem maiores transcendências e que não afeta as relações bilaterais.

Enquanto o PT denunciava o governo golpista daquele que outrora fora vice-presidente em sua gestão, no outro lado da cidade, a oposição venezuelana tratava de seguir denunciando os desmandos do regime chavista. Em Moncloa, próximo à sede do governo, parlamentares venezuelanos e políticos espanhóis voltaram a exigir eleições livres na Venezuela.

A manifestação fora convocada pela Frente Ampla Venezuela Livre que também promoveu protestos em 335 municípios venezuelanos. Para a oposição, as eleições marcadas para 20 de maio são uma farsa montada por Nicolás Maduro. A ideia é seguir pressionado desde as principais capitais do planeta, incluída Brasília.

A Frente Ampla Venezuela Livre congrega os partidos que integram a Mesa de Unidade Democrática (MUD), setores da sociedade civil, a Igreja católica e chavistas dissidentes. Pelo que se viu em Madri, a estratégia mudou. No lugar de massivas passeatas em Caracas, pequenas reuniões com os venezuelanos para mostrar-lhes a realidade do país. Ao que parece, os opositores decidiram preservar a vida para seguirem lutando.

Nas últimas manifestações, cerca de 300 pessoas foram presas e 145 mortas nos enfrentamentos com a polícia. Outros milhares passaram a ser perseguidos pelos serviços de inteligência.

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