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23/03/2009
Política
23/03/2009

Cuba: A cultura que alimenta a política

Cuba: A cultura que alimenta a política

Marcelo Rech, especial de Havana

A Feira Internacional do Livro, de Havana, homenageou este ano o Chile. Autores e publicações do país sul-americanos foram destacados num dos eventos culturais mais importantes da América Latina.

Tive a oportunidade de percorrer os stands da Feira e pude perceber como a cultura cubana fortalece a política do país.
Crianças de cinco anos escolhiam livros sobre a história do país, de Fidel, de Che e de Camilo. Algo que não se vê no Brasil, por exemplo.

Contribui os preços baixíssimos dos livros. Um livro recém lançado por custar alguns centavos de reais em Cuba.

Estive com o vice-ministro da Cultura, Fernando Rojas, que reconheceu as dificuldades econômicas para manter o nível das publicações e a diversidade de títulos. Ainda assim, cerca de oito milhões foram impressos para a Feira.

Pelo menos 500 mil foram vendidos em apenas duas semanas – a Feira dura o mês inteiro e depois se torna itinerante nas diversas províncias e povoados do país.

O livro vai onde está o povo, literalmente. Não por acaso, o cubano médio é extremamente intelectualizado. Conhece seu país, suas raízes, seus problemas e seus inimigos, claro.

“Política cultural é de serviço público para garantir o acesso à cultura com origens na revolução”, me disse Rojas.

Para tanto, o governo mantém uma estratégia de subsídios e até gratuidade para a produção de livros, filmes e músicas. Se pode assistir um filme em Cuba pagando R$ 0,50 de ingresso ou um balé de nível internacional por R$ 0,40.

Nos anos 90, antes do fim da URSS, Cuba chegou a produzir 80 milhões de livros e entre 10 e 15 filmes por ano.

Em abril, será realizada a Feira do Livro da Montanha, quando 100 comunidades recebem os últimos lançamentos literários.

Também será realizado o Festival Universitário do Livro e Leitura, em todas as universidades do país.

Nas cidades cubanas, as principais vias são fechadas e transformadas em grandes feiras de livros.

“Existe vontade política para se dar acesso ao livro em Cuba”, explica Fernando Rojas. O governo não tem lucros com a impressão dos livros.

Pirataria consentida

Enganam-se aqueles que acham que em Cuba não se assistem a filmes de Hollywood. Para o governo dos Estados Unidos, essas produções cumprem um papel relevante na chamada “guerra das idéias”.

Os cubanos por sua vez, baixam os filmes dos satélites, os traduzem e os veiculam nas TVs do país. “Como o país está sob embargo dos Estados Unidos, eles não podem cobrar os direitos”, diverte-se Rojas.

É verdade! Mas, também é fato que a cultura norte-americana sustentada pelo consumismo também invade corações e mentes em Cuba.

Os cinco canais estatais usam os filmes e séries norte-americanas para preencher as grades uma vez que a crise não permite a produção de programas locais 24h.

Fernando Rojas afirma ainda que “o erro do leste europeu foi fechar suas sociedades à cultura mundial. Em Cuba, se compartilha a cultura de todas as partes do mundo”.

O país conta com um sistema de ensino de artes que conta com 60 escolas específicas em todas as províncias.

“A derrota do socialismo da Europa do leste foi, sobretudo uma derrota cultural”, destaca Rojas.

A cooperação com a Alternativa Bolivariana (Alba) permitiu a produção de livros, discos, filmes e diversos espetáculos. Cuba também participou em 2007, da cúpula do Mercosul Cultural e mantém um relacionamento intenso com o Caribe nesta área.

Marcelo Rech, jornalista, é o editor do InfoRel

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