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22/06/2017
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23/06/2017

Geopolítica

Cuba e China fortalecem cooperação econômica

Brasília – Os governos de Cuba e da China decidiram fortalecer ainda mais a cooperação em matéria econômica com a assinatura de novos acordos nesta quinta-feira, 22, em Pequim, entre os ministros de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, e o seu homólogo chinês Zhong Shan.

Os entendimentos se deram no âmbito da 29ª sessão da Comissão Intergovernamental Cuba – China para as Relações Econômicas e Comerciais, oportunidade em que toda a agenda bilateral foi repassada e a cooperação avaliada. O objetivo é intensificar o relacionamento em todas as áreas.

Para o ministro chinês do Comércio, “é constante a fortaleza e a confiança mútua entre as políticas e as relações econômico-comerciais existentes entre os dois países, assim como o desenvolvimento de interesses comuns por meio de mais cooperação”;

Cuba é o primeiro sócio comercial da China no Caribe, enquanto Pequim converteu-se no principal parceiro comercial da Ilha em nível global. A expectativa é que o relacionamento bilateral cresça ainda mais após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de dificultar as relações com o regime de Raul Castro.

Além da China, Cuba também negocia com a Rússia o suprimento de petróleo nas mesmas condições estabelecidas com a Venezuela. Como Caracas está tendo sérias dificuldades para prover o produto, Castro tenta convencer Putin de fazê-lo.

A China quer ainda investir em projetos estratégicos em Cuba e controlar o Porto de Mariel, construído com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Rússia e o setor privado norte-americano querem o mesmo e Mariel poderá transformar-se em uma zona de livre comércio.

Com as relações congeladas desde a queda de Dilma Rousseff, o Brasil deverá ficar de fora de todas essas negociações, mesmo tendo viabilizado a principal obras de infraestrutura cubana em várias décadas.

As crises no Brasil e na Venezuela, associadas à queda nos preços das commodities, fez com que Havana buscasse em Pequim o aliado preferencial para aprofundar a cooperação em temas como a construção de infraestruturas tais como aeroportos, portos, rodovias, telecomunicações, hotéis e instalações turísticas.

No ano passado, Cuba e China firmaram 50 acordos de caráter governamental, ministerial e empresarial. Agora, os dois países trabalham em um plano de desenvolvimento industrial de Cuba até 2030.

China e Estados Unidos dialogam sobre temas diplomáticos e de segurança

China e Estados Unidos realizaram nesta quarta-feira, 21, um diálogo de alto nível sobre temas diplomáticos e de segurança, no qual prometeram promover relações bilaterais por meio da ampliação da cooperação e do tratamento cuidadosos das diferenças.

Tanto para Washington como para Pequim o diálogo foi frutífero e construtivo. O governo de Trump na verdade desconfia das intenções dos líderes chineses, mas conta com o gigante asiático para controlar os ímpetos da Coreia do Norte. A China é o único país que efetivamente mantem diálogo como Pyongyang.

Além disso, Trump sabe que a China está de olho na América Latina para quem prometeu um fundo de US$ 250 bilhões. A destinação desses recursos e a influência que a China terá em uma zona de tradicional influência norte-americana preocupa republicanos e democratas.

O diálogo China – Estados Unidos é um dos quatro mecanismos de alto nível estabelecidos durante a reunião de abril realizada na Flórida, entre os presidentes Trump e Xi Jinping.

As discussões foram encabeçadas pelo Conselheiro de Estado da China, Yang Jiechi, e o Secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson. O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, também participou das reuniões, assim como Fang Fenghui, membro da Comissão Militar Central (CMC) da China e chefe do Departamento do Estado Maior Conjunto de la CMC.

Yang Jiechi destacou que as relações chino-norte-americanas vivem uma nova era e que os novos acordos firmados entre ambos recoloca o relacionamento na direção correta. Para tornar ainda mais sólida essa relação, Trump e Jinping deverão ver-se na Cúpula do G-20 em julho na Argentina. Há ainda a possibilidade de Trump viaja à China até o final do ano.

Defesa

Os dois países pretendem ainda intensificar o relacionamento e os intercâmbios entre as respectivas Forças Armadas em temas como assistência humanitária, combate à pirataria, ciências médico-militares, memorandos de entendimento que contribuam para a construção da confiança mútua.

O governo chinês também reiterou a sua posição em relação a Taiwan e ao Tibet e pediu que os Estados Unidos respeitem os compromissos de tratar esses temas de forma apropriada. O governo Trump advoga pela política de uma só China e assegura que Washington não apoia nenhuma atividade separatista.

No entanto, o tema primordial para Trump neste momento é a Coreia do Norte. O aumento das tensões na Península Coreana cobra a retomada de negociações urgentes e os Estados Unidos sabem que Pequim tem a capacidade de influenciar neste cenário. Para a China, é preciso promover a “estratégia de via dupla” para obter a desnuclearização da região.

Isso significa que os Estados Unidos teriam de suspender primeiro os exercícios militares de grande escala desenvolvidos com a Coreia do Sul. Com isso, Pyongyang poderia repensar suas atividades nucleares e de mísseis. A China cobrou ainda dos Estados Unidos a retirada do sistema antimísseis THAAD da Coreia do Sul

Em relação ao Mar Meridional da China, Pequim assinalou que apenas exerce “indiscutível soberania sobre as ilhas e suas águas adjacentes, e que tem todo o direito a salvaguardar os seus direitos marítimos”.

Os dois países também discutiram temas relacionados com a luta global contra o terrorismo e pretendem avançar nesta agenda considerando o crescimento do fenômeno em todo o mundo.

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