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Direitos Humanos

Cuba é tema de polêmica no Senado brasileiro

Brasília – Mais uma vez a situação política e econômica de Cuba acirrou os ânimos no Senado Federal. Nesta quinta-feira, 22, a Comissão de Relações Exteriores votou dois requerimentos para que os Estados Unidos suspendam o bloqueio econômico à ilha e para que o regime castrista permita que a jornalista Yoaní Sanchez possa deixar o país.

A Comissão de Relações Exteriores também deverá encaminhar ao governo colombiano, mensagem pedindo que Cuba seja admitida na Cúpula das Américas que acontece entre 9 e 15 de abril em Cartagena de Índias.

Na prática, o movimento é para que o país seja convidado a partir da próxima edição que deverá ser realizada em 2015.

A Comissão aprovou o requerimento que pedia o fim do embargo econômico norte-americano a Cuba, mas rejeitou o segundo, sobre a liberdade de Yoaní Sanchez deixar Havana para vir, por exemplo, ao Brasil. Ela até já recebeu o visto da embaixada brasileira em Cuba.

De acordo com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), presidente do Grupo de Amizade Brasil – Cuba, o bloqueio econômico contra Cuba constitui um atentado aos direitos humanos daquela população.

Em relação à blogueira, Grazziotin pediu que o Senado “não entrasse em questões internas daquele país”. Para a senadora, é preciso checar quem financia o trabalho da cubana que ficou famosa ao criar um blog em que retrata o dia-a-dia da ilha.

Para Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o Senado não deve pedir pela libertação de presos políticos em Cuba, pois estaria “invadindo a soberania cubana”. Segundo ele, não cabe aos senadores brasileiros dizer quem deve ou não permanecer preso em Cuba.

Autor dos requerimentos, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), afirmou que o embaixador cubano em Brasília nem o atende mais. “Nos Estados Unidos dizem que, se Cuba der sinais de maior liberdade, vão acabar com o embargo mais rapidamente”, explicou.

Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Fernando Collor (PTB-AL), o requerimento pedindo que Yoaní Sanchez possa deixar Cuba, poderia distanciar o Brasil daquele país e a mensagem poderia ser mal entendida por Havana.

No requerimento aprovado, os senadores apelam ainda pela libertação de cinco cubanos presos nos Estados Unidos há mais de dez anos acusados de espionagem. Exigem ainda o fechamento imediato da base militar norte-americana em Guantánamo.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O Brasil tem por tradição, respeitar a soberania nacional dos demais países e de não aceitar ingerências externas em assuntos internos, dos outros e dos nossos.

No entanto, sempre que o tema é Cuba, cria-se polêmica. Algumas justificáveis, outras nem tanto.

A ilha enfrenta 50 anos de bloqueio econômico, uma aberração da época da Guerra Fria que sobrevive graças aos cubano-americanos que lotam o Congresso dos Estados Unidos e a economia de Miami.

Quanto à jornalista e blogueira Yoaní Sanchez, questionar quem a financia chega a ser uma grosseria da senadora Vanessa Grazziotin. Um artifício para desviar o foco sobre o governo cubano.

É claro que um país como o Brasil deve condenar toda e qualquer violação dos direitos humanos e ao impedi-la de deixa a ilha, o governo cubano comete uma atrocidade que apenas os xiitas da esquerda negam-se a enxergar.

Por outro lado, Yoaní Sanchez não é um problema do Senado brasileiro. É um problema de Cuba que deve ser resolvido e solucionado pelos cubanos.

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