Brasília, 17 de outubro de 2018 - 12h19

Cuba na agenda norte-americana

23 de junho de 2011
por: InfoRel

Em março de 2010, Peter Hakim, então presidente do Diálogo Inter-Americano, compareceu ao Comitê de Assuntos Hemisféricos do Senado dos Estados Unidos.



Ali, deixou claro que o governo que acabara de completar um ano não tinha nenhuma estratégica para a América Latina.



Estive com Hakim nesta terça-feira na sede do Diálogo. Segundo ele, nada mudou.



Enganam-se os que acham que a América Latina importa para o Departamento de Estado ou que Cuba mantém o status de prioridade na política externa de Washington.



E ele não é o único a afirmar que as questões internas impedem que Barack Obama perca um minuto de seu tempo com a região.



Além disso, no cenário internacional, os Estados Unidos têm que resolver pendengas como Iraque e Afeganistão, além de manter o olho na China.



Em tempos de guerra fria, o congresso do PC cubano paralizava a capital norte-americana. Neste ano, pouco ou nada se comentou.



Estive em Havana em 2008 e pude respirar o ar de um regime que na verdade, torce para que o bloqueio econômico se mantenha.



É o que o sustenta.



Toda a corrupção e a incapacidade de gerir o Estado são debitadas na conta do governo norte-americano.



Nos Estados Unidos isso não é diferente. Centenas de cubano-americanos ganham a vida graças ao bloqueio.



Muitos deles chegaram ao Congresso e hoje comandam importantes comissões como a de Relações Internacionais da Câmara de Representantes chefiada pela republicana Ileana Ros-Lethien, da Flórida.



Trata-se de uma parlamentar das mais reacionárias que chegou aos Estados Unidos com apenas quatro anos de idade. Filha de um antigo colaborar de Fulgêncio Batista, ela só quer uma coisa: a morte definitiva do regime cubano de Fidel e Rául Castro.



No Comitê de Assuntos Hemisféricos está o senador Robert Menendez (Democrata – Nova Jersey). Ele deve assumir o comando da Comitê logo que John Kerry (Democrata - Massachusetts) for confirmado como Secretário de Estado no lugar de Hilary Clinton.



A mudança ocorre até o final de 2011.



Além de Cuba, pouco importa o que Hugo Chávez faz na Venezuela. Funcionários do Departamento de Estado disseram-me que é melhor ignorá-lo.



Quanto mais críticas dos Estados Unidos, mais o líder bolivariano ganha.



Em Washington, não há dúvidas que Chávez está perdendo força e que não permanece no poder por muito mais tempo.



Além disso, ele nunca deixou de entregar uma única gota de petróleo aos Estados Unidos, o que reforça que sua política é 99% retórica.



Outro elemento importante: Arturo Valenzuela, Subsecretário de Estado para Assuntos Hemisféricos, deixa o cargo em julho.



Será substituído por Kristie Kenney que serviu na Argentina e Equador.



Valenzuela deixa o governo e retorna à Universidade Georgetown. Estava incomodado justamente com a falta de prioridade da administração Obama à América Latina.



Ele também nunca se deu bem com seu antecessor, Thomas Shannon, que é o embaixador dos Estados Unidos no Brasil e ali funciona como uma espécie de satélite do Departamento de Estado, monitorando toda a região.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

Assuntos estratégicos

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...