Opinião

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23/06/2011
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23/06/2011

Cuba na agenda norte-americana

Cuba na agenda norte-americana

Em março de 2010, Peter Hakim, então presidente do Diálogo Inter-Americano, compareceu ao Comitê de Assuntos Hemisféricos do Senado dos Estados Unidos.

Ali, deixou claro que o governo que acabara de completar um ano não tinha nenhuma estratégica para a América Latina.

Estive com Hakim nesta terça-feira na sede do Diálogo. Segundo ele, nada mudou.

Enganam-se os que acham que a América Latina importa para o Departamento de Estado ou que Cuba mantém o status de prioridade na política externa de Washington.

E ele não é o único a afirmar que as questões internas impedem que Barack Obama perca um minuto de seu tempo com a região.

Além disso, no cenário internacional, os Estados Unidos têm que resolver pendengas como Iraque e Afeganistão, além de manter o olho na China.

Em tempos de guerra fria, o congresso do PC cubano paralizava a capital norte-americana. Neste ano, pouco ou nada se comentou.

Estive em Havana em 2008 e pude respirar o ar de um regime que na verdade, torce para que o bloqueio econômico se mantenha.

É o que o sustenta.

Toda a corrupção e a incapacidade de gerir o Estado são debitadas na conta do governo norte-americano.

Nos Estados Unidos isso não é diferente. Centenas de cubano-americanos ganham a vida graças ao bloqueio.

Muitos deles chegaram ao Congresso e hoje comandam importantes comissões como a de Relações Internacionais da Câmara de Representantes chefiada pela republicana Ileana Ros-Lethien, da Flórida.

Trata-se de uma parlamentar das mais reacionárias que chegou aos Estados Unidos com apenas quatro anos de idade. Filha de um antigo colaborar de Fulgêncio Batista, ela só quer uma coisa: a morte definitiva do regime cubano de Fidel e Rául Castro.

No Comitê de Assuntos Hemisféricos está o senador Robert Menendez (Democrata – Nova Jersey). Ele deve assumir o comando da Comitê logo que John Kerry (Democrata – Massachusetts) for confirmado como Secretário de Estado no lugar de Hilary Clinton.

A mudança ocorre até o final de 2011.

Além de Cuba, pouco importa o que Hugo Chávez faz na Venezuela. Funcionários do Departamento de Estado disseram-me que é melhor ignorá-lo.

Quanto mais críticas dos Estados Unidos, mais o líder bolivariano ganha.

Em Washington, não há dúvidas que Chávez está perdendo força e que não permanece no poder por muito mais tempo.

Além disso, ele nunca deixou de entregar uma única gota de petróleo aos Estados Unidos, o que reforça que sua política é 99% retórica.

Outro elemento importante: Arturo Valenzuela, Subsecretário de Estado para Assuntos Hemisféricos, deixa o cargo em julho.

Será substituído por Kristie Kenney que serviu na Argentina e Equador.

Valenzuela deixa o governo e retorna à Universidade Georgetown. Estava incomodado justamente com a falta de prioridade da administração Obama à América Latina.

Ele também nunca se deu bem com seu antecessor, Thomas Shannon, que é o embaixador dos Estados Unidos no Brasil e ali funciona como uma espécie de satélite do Departamento de Estado, monitorando toda a região.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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