Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 21h50

Cúpula do Mercosul é adiada por falta de entendime

17 de janeiro de 2014
por: InfoRel
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Brasília - Inicialmente prevista para acontecer em 13 de dezembro, a Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos países que integram o Mercosul foi postergada para 17 de janeiro de 2014, adiada para o dia 31 para coincidir com a Cúpula da Celac em Havana e agora, cancelada mais uma vez. A previsão é que seja realizada em fevereiro, mas ninguém arrisca uma data.



A organização do evento é responsabilidade da Venezuela, presidente pro tempore do bloco. De acordo com diplomatas dos países do Mercosul, os venezuelanos se destacam justamente pela desorganização. Além de não haver data para o evento, não há agenda nem previsão dos assuntos a serem tratados.



A Cúpula do Mercosul iria marcar o retorno formal do Paraguai ao bloco. O país concluiu no final de 2013, o processo de votação do Tratado de Adesão da Venezuela - exigência feita pelos paraguaios para aceitar o ingresso venezuelano ocorrido quando o país estava suspenso do Mercosul.



Inclusive, os ministros Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e Luiz Alberto Figueiredo Machado, das Relações Exteriores, estiveram em Assunção nesta semana para garantir a presença do presidente Horacio Cartes no evento em Caracas.



Coube ao chanceler paraguaio Eladio Loizaga anunciar o cancelamento da Cúpula. Ele também informou que o país já tem normalizadas as relações com todos os vizinhos. Nesta semana, o Paraguai reabriu sua embaixada na Venezuela para onde foi o diplomata Enrique Jara Ocampos - que por muitos anos serviu na embaixada paraguaia em Brasília - e a Venezuela fez o mesmo em Assunção.



Celac



Com o adiamento da Cúpula, a Venezuela tentou viabilizar uma dobradinha: como os presidentes dos países do Mercosul deverão estar na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que ocorrerá em Havana nos dias 28 e 29, Nicolás Maduro achou por bem marcar a do Mercosul para 31. Assim, todos deixariam Havana diretamente para Caracas.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



A disputa entre bolivarianos e não bolivarianos acabou por contaminar o Mercosul assim como já havia feito com a Unasul. Por conta das divergências e do forte conteúdo ideológico na condução dos blocos, os mesmos acabaram paralisados.



O prejuízo, no entanto, é de todos. Enquanto a região não colocar um ponto final nas disputas ideológicas, todos saíram perdendo.



No ritmo que as coisas vão, o Mercosul tende a deteriorar-se cada vez mais. Além dos desentendimentos políticos, travas comerciais frequentes impedem que o bloco se consolide.



Os últimos seis meses foram um desastre. A presidência venezuelana não produziu nada de positivo, pelo contrário, trabalhou para exportar ao bloco a polarização ideológica que prejudica o país.



O Paraguai que deveria receber a presidência pro tempore, não a quer. Pretende comandar o bloco quando o mesmo sair do coma. O país quer suas digitais como responsável por ações concretas e positivas e não um espaço para demagogias e retóricas.

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