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Mercosul

Cúpula é marcada por crises e um acordo comercial com Cuba

Nesta sexta-feira, o futuro do Mercosul mais uma vez estará em jogo. Reunidos em Córdoba, na Argentina, os presidentes dos países que integram o bloco, têm a difícil missão de encontrar soluções para as crises que afetam o Mercado Comum.

O Brasil assumirá a presidência temporária do Mercosul pelos próximos seis meses, no lugar da Argentina. Será a primeira cúpula da Venezuela como membro pleno do Mercosul.

Na contramão, o presidente boliviano Evo Morales, chegou reafirmando que seu país não tem interesse em integrar o bloco. Ele considera mais importante fortalecer a Comunidade Andina de Nações (CAN).

O que mais preocupa são as tensões provocadas pela crise do gás boliviano, que atingem Argentina, Brasil e Chile. Além disso, Argentina e Uruguai convivem com a briga pela construção de duas indústrias de celulose na fronteira comum. Para piorar, Paraguai e Uruguai querem abandonar o bloco.

Por outro lado, o bloco já conta com o reforço da Venezuela e deve firmar acordos de complementação comercial com Cuba. Para o presidente venezuelano Hugo Chávez, do jeito que está o Mercosul não serve para nada.

O presidente Lula negou que o bloco tenha dado uma guinada à esquerda, com a adesão da Venezuela e os acordos com Cuba. Na sua avaliação, não há ideologização dentro do bloco.

Ele também considera a questão energética como a mais importante a ser solucionada, além da ajuda que deverá ser oferecida ao Paraguai e Uruguai.

Além dos presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, participam da cúpula, os presidentes Fidel Castro, de Cuba, Evo Morales, da Bolívia, e Michelle Bachelet, do Chile.

O encontro também será marcado por reuniões bilaterais. Evo Morales terá encontros de trabalho com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a crise do gás, com a chilena Michelle Bachelet, com quem pretende discutir a retomada das negociações sobre uma saiba boliviana para o mar, com Fidel Castro e Hugo Chávez.

O presidente argentino Néstor Kirchner se reunirá com Lula, Bachelet e Evo Morales. Não está confirmado encontro com o uruguaio Tabaré Vázquez, que chegou à cúpula lamentando a crise entre os dois países por conta da construção de duas indústrias de celulose na fronteira.

Declaração de Córdoba

Segundo fontes diplomáticas da Argentina, a Declaração de Córdoba deverá contemplar o acordo comercial com Cuba, o ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul, uma referência à crise no Oriente Médio e uma reflexão sobre as assimetrias que atingem os países menores do bloco.

Sobre o conflito no Oriente Médio, os países do Mercosul farão um apelo em defesa da paz. Os presidentes do bloco temem que a crise seja agravada e possa se estender para outros países da região.

Durante esta sexta-feira, deverá ser definido o apoio do Mercosul para que a Venezuela integre o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como membro não permanente.

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