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Cooperação Trilateral

28 de maro de 2005
por: InfoRel
Nesta terça-feira, os presidentes àlvaro Uribe, da Colômbia, e Hugo Chávez, da Venezuela, terão mais uma oportunidade para diminuir as tensões bilaterais, assistidos pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero.

Fontes do governo brasileiro acreditam no compromisso ibero-americano da Espanha, como instrumento de reaproximação definitiva entre Chávez e Uribe, além dos esforços pessoais do presidente Lula em nome da integração sul-americana.

O encontro será em Ciudad Guayana, distante 500 quilômetros de Caracas e na fronteira com o Brasil. Para os oposicionistas de Chávez, a cúpula presidencial poderá jogar uma pá de cal nas pretensões de frear seus à­mpetos esquerdistas. Há uma grande expectativa entre Madri, Bogotá e Brasà­lia, em relação aos resultados práticos do encontro.

Preocupa sobremaneira, o futuro dos projetos de cooperação trilateral entre Venezuela, Colômbia e Brasil, com a Espanha. Essa cooperação atinge áreas sensà­veis como Defesa e a venda de equipamentos e armamentos. Para os espanhóis, o governo de Chávez é legà­timo e representa a vontade popular, principalmente depois do referendo.

No entanto, todos concordam que a Venezuela acabou transformando-se na principal dor de cabeça dos Estados Unidos. Desde 1999, quando Chávez chegou ao poder, os norte-americanos não o toleram. Depois que ele decidiu modernizar e equipar suas forças armadas, denunciando reiteradas vezes, que a CIA tem planos para matá-lo, essa relação deteriorou-se de vez.

Os Estados Unidos têm na Colômbia, seu principal aliado na América do Sul, mas não é possà­vel imaginar que Brasil e Espanha, por maiores que sejam suas diferenças em relação ao governo Bush, venham a somar-se à  Chávez, um fiel escudeiro do regime castrista, com uma polà­tica de confrontação com os Estados Unidos.

A Secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice afirmou que o seu paà­s respeitará as autoridades legà­timas e constitucionais da Venezuela, contrariando o que dissera logo que assumiu o posto de Collin Powell.

Na oportunidade, Rice afirmou que Chávez representava um problema para a estabilidade polà­tica da região. Chegou a afirmar que o presidente venezuelano era uma força negativa para a América do Sul. O tom baixou.

Resta saber que resultado produzirá internamente, uma vez que a oposição ao governo de Hugo Chávez sempre contou com uma forcinha extra dos Estados Unidos. Também é preciso esperar para saber como o próprio Chávez reagirá diante da nova postura do governo Bush.

Enquanto condenava a chamada ‘corrida armamentista’ de Chávez, o Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que passou por Brasà­lia e Buenos Aires, não recebeu a concordância dos governos brasileiro e argentino. Não saiu convencido. Ele continua acreditando que Chávez é quem inspira là­deres como Evo Morales na Bolà­via e que o efeito dominó pode atingir a região.

Para o Brasil e a Espanha, vale a confiança e os negócios. Ambos estão vendendo aviões e corvetas para a Venezuela. Como a Colômbia também tem um processo de compra de 22 aviões de combate, provavelmente o Super Tucano da Embraer, decidiu-se que o tema da venda de armamentos não será tratado durante a reunião dos quatro.

A Espanha quer que a visita de Zapatero, que já esteve no Brasil e na Argentina, e vai à  Colômbia, sirva para se criar uma zona de confiança na região, onde os acordos comerciais serão meros detalhes. Eles devem tratar dos temas referentes à  Cúpula Ibero-americana de outubro, que será na cidade histórica da Salamanca, terrorismo e sobre a “Aliança de Civilizações” proposta pelo primeiro-ministro espanhol.

De resto, o Brasil vai continuar exercendo sua liderança regional e a Espanha, ampliando seu espectro de influência na América do Sul, região a qual esteve de costas durante praticamente todo o governo do conservador José Maria Aznar.

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