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Política

08 de julho de 2005
por: InfoRel
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Marcelo Rech

Luiz Inácio Lula da Silva converteu-se nos últimos 25 anos, num dos maiores là­deres polà­ticos de esquerda do mundo. Isso é um fato! Em pouco mais de dois anos e meio, mostrou ser um presidente incompetente e uma presa fácil daqueles que as urnas cassaram.

Além dos pouco mais de 52 milhões de brasileiros que depositaram seu voto de confiança num governo eleito para mudar, toda uma camada da elite polà­tica de esquerda da América Latina acreditava que havia encontrado sua referência.

Depois de Fidel Castro e Che Guevara, que incendiaram paixões revolucionárias, o maior paà­s latino-americano escolhia democraticamente, um ex-là­der operário para ser seu presidente.

Foram necessárias quatro disputas para, finalmente, ganhar em 2002 de forma avassaladora, incontestável, apaixonante.

O Brasil iniciava uma revolução onde as armas eram a biografia e o patrimônio ético desse là­der. Em 2002, o povo brasileiro promoveu sua revolução e a elite financeira acabou arrastada para o que se denominou “onda Lula”.

Não sou cientista polà­tico ou acadêmico. Sou apenas um jornalista que faz do InfoRel, um projeto idealista, lido por poucos, uma tentativa decente de se ganhar a vida no futuro. Não tenho força e provavelmente, não reúno capacidade para transformar, através da palavra escrita, a realidade dos fatos. ‘Mas, penso. Logo, existo!’

Como cidadão, vivi uma catarse em 2002. Depois de acompanhar várias CPIs, inclusive aquela que terminou com a cassação do presidente Fernando Collor de Mello, eu também era um brasileiro que sentia vontade de sentir orgulho do paà­s.

No entanto, o que era uma novidade para o mundo, tem-se transformado numa catástrofe para o Brasil. Lula decepcionou. Não apenas aqueles que depositaram tanta confiança nele, mas um paà­s inteiro e toda a esquerda que ainda tremula bandeiras com a figura enigmática de Guevara.

A revolução de Che já não é mais possà­vel de ser feita. Mas, Lula poderia fazer outra. Entrar para a história como o operário que arregaçou as mangas e enfrentou o capital especulativo, os banqueiros, os corruptos. Que formou um governo com pessoas acima de qualquer suspeita.

Não! Lula entregou o governo para José Dirceu tocar enquanto ele se deliciava em viagens internacionais homéricas. Fora vender um paà­s que não existia e que esperava por ele. Que ansiara por seu presidente. Meteu-nos no Haiti quando nossos haitis multiplicam-se.

Briga por uma cadeira num Conselho de Segurança de uma Organização que precisa ser profundamente repensada e modernizada e onde um paà­s apenas dá as cartas, por que simplesmente pode.

Lula tem autoridade para falar da fome, pois a sentiu como milhões. No entanto, deixou-se levar pelo marketing e transformou uma prioridade numa marca bonita e inerte. Crianças estão morrendo de fome nas aldeias, nos povoados, nas cidades e nas cercanias dos palácios de Brasà­lia.

Há que se repensar muitas práticas, sem dúvida. Uma delas está na necessidade de não se levar para dentro de casa, amizades problemáticas.

Lula trocou sua história e o povo brasileiro por José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Renan Calheiros, Roberto Jefferson, e agora, pede arrego ao ex-presidente Fernando Henrique para ver se consegue terminar seu mandato com alguma decência.

Lula rasgou sua biografia e acovardou-se. Leva uma gestação inteira para mexer na inoperância e incompetência do seu próprio governo, montado com 19 petistas derrotados nas urnas quando ele era ovacionado.

O presidente sempre será o comandante do governo. O estadista chama para si, a responsabilidade de fazer ou de reconhecer os erros, mas Lula prefere insistir em que nada sabia, como se fora estrangeiro em seu próprio paà­s.

É lamentável que tenhamos chegado a esse ponto e que um governo que deveria ser popular e democrático, tenha sido exercido com tanta arrogância e traços stalinistas.

Pior que isso, é perceber que o presidente ainda não se deu conta da dimensão e da gravidade dos problemas, e a cúpula do seu partido prefira rebater as crà­ticas com argumentos tão frágeis quanto falsos.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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