Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 15h53

Eleições 2014

15 de agosto de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech



A tragédia que vitimou o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, 49, chocou e paralisou o país, mas ainda na quarta-feira, 13, os políticos já tentavam montar os possíveis cenários para a eleição de outubro sem a presença do ex-governador de Pernambuco e herdeiro político do legendário Miguel Arraes.



A lógica dos políticos é completamente diferente da lógica dos simples mortais: para eles, o que importa agora é tirar o máximo de vantagens políticas da tragédia (para o PSB e seus aliados) e da comoção nacional em torno dela; e como neutralizar esses movimentos (nos casos de Dilma Rousseff e Aécio Neves).



Marina Silva que foi vítima de uma guerra suja e de uma política rasteira patrocinada pelo governo e o seu partido majoritário, é o nome natural para substituir Campos que buscou nela, um capital político de 20 milhões de votos e vinha colando sua imagem à dela, uma pessoa acima de qualquer suspeita, do bem e incapaz de vender-se ao sistema.



Em 2010, ela proporcionou o novo na política e por pouco não interrompe o projeto de poder do PT. No Planalto, a possibilidade de Marina assumir o lugar de Eduardo Campos constitui uma ameaça concreta à reeleição da presidente.



Aécio Neves por sua vez, também se vê ameaçado. Ele era amigo pessoal de Campos e tinha com ele um acordo claro de mútuo apoio e cooperação com o propósito de evitar uma vitória petista no primeiro turno. Com Marina, isso é simplesmente impossível.



Não percamos de vista que foi a sua ojeriza ao PSDB que salvou a vida de Marina Silva que para evitar um encontro com o governador de São Paulo, preferiu viajar em avião de carreira horas antes do líder socialista que encontraria em Santos (SP).



Embora não seja unanimidade dentro do PSB, partido ao qual se filiou após o registro da sua REDE ter sido negado pelo TSE, ela representa a única possibilidade dos socialistas chegarem ao poder. Marina não precisa do PSB, mas o PSB necessita dela. O partido não possui um mísero nome em condições de substituir Eduardo Campos.



Além disso, a ex-senadora recolheu-se ao silêncio digno que força os socialistas a correm atrás dela. Ao negar-se tratar de eleição enquanto seu companheiro não é velado e enterrado, ela firma-se ainda mais como uma pessoa decente que não enxerga na tragédia, a janela oportunista para chegar ao poder.



O processo político terá, obrigatoriamente, que passar por uma ampla reengenharia. Muda tudo e zeram as campanhas. Nos níveis estadual e federal.



O destino pregou uma peça naqueles que brindaram o golpe elaborado para escantear Marina do jogo. Ela retorna muito mais forte, numa condição ainda mais relevante e para ganhar.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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