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Política

12 de abril de 2005
por: InfoRel
Ucho Haddad

“Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados.”Millôr Fernandes

Jornalismo direitista. Muito utilizada pelos contumazes eleitores petistas, inconformados com os ataques que o governo Lula sofre a cada novo descalabro administrativo, tal expressão nem de longe traduz o papel da imprensa como guardiã da democracia e da dignidade de um povo, cansado da ciclotimia que costumeiramente afeta as promessas “palanqueiras”.

Ao classificar de direitista os ataques jornalà­sticos aos desmandos palacianos, a esquerda tupiniquim lança mão de algo deveras conhecido no seio da ideologia “rouge”: o terrorismo intelectual. Impulsionada em um segundo momento pela popularidade de Jean Paul Sartre – ferrenho defensor da idéia que a felicidade estava intimamente ligada à  supressão de qualquer lei moral ou jurà­dica – a teoria do terrorismo intelectual ganhou espaço com a prática de condenar e caluniar todos aqueles que ousaram criticar as contraditórias posturas esquerdistas da época, comumente repetidas nos dias atuais, tendo permitido, ao longo do tempo, o triunfo irresponsável de gente como o ditador cubano Fidel Castro e o là­der do Khmer Vermelho, Pol Pot.

Se nos paà­ses eminentemente comunistas o terrorismo intelectual seguiu as doutrinas leninistas que marcaram a Revolução Bolchevique, onde um toque cientà­fico se mesclava à  conhecida truculência de porão, no resto do mundo a teoria foi se amoldando aos regionalismos como forma de adequar as ideologias do esquerdismo festivo à s virulências do capitalismo.

No Brasil, último rincão capaz de relançar o comunismo a nà­vel mundial, as reticências do terrorismo intelectual estão mais vivas do que nunca, sendo que ao chamado núcleo duro do governo Lula cabe a responsabilidade de manipular a opinião pública com engodos “marqueteiros” e desacreditar aqueles que, através da imprensa, ousam, insistente e continuamente, desmascarar as ações totalitaristas de um embuste polà­tico-administrativo travestido de equipe de governo.

Não fosse verdade, a idéia da criação do Conselho Federal de Jornalismo não teria encontrado tantos defensores nos corredores “planaltinos”.

Nos domà­nios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pseudo-eficiência do terrorismo intelectual tem merecido lugar de destaque durante os mais secretos encontros do poder, materializada recentemente na decisão de controlar e manipular os resultados das pesquisas realizadas pelo IBGE.

Em “Le terrorisme intellectuel de 1945 à  nos jours” [Paris, Perrin 2000], Jean-Sévillia deixa claro que a censura na França não acabou, mas apenas mudou de lado, indo parar nas mãos daqueles que um dia protestaram contra aquilo que costumavam chamar de manipulação direitista da imprensa.

Algo muito semelhante tem ocorrido diante dos olhos mà­opes de uma sociedade irresponsavelmente inerte, que não consegue enxergar a reedição das práticas de censura adotadas durante a era plúmbea brasileira.

O terrorismo intelectual funcionou como uma espécie de abre-alas para as inúmeras revoluções comunistas que ocorreram no último século, permitindo a instalação de ditaduras camufladas pelo discurso do politicamente correto, tão errante quanto as bravatas disparadas pelos parlapatões da direita.

Durante mais de duas décadas, a esquerda brasileira de outrora – que hoje não apenas exibe o ranço egoà­sta e explorador que caracterizou o radicalismo da direita, mas age como se ultraconservadora fosse – condenou o “status quo” da situação, mas, chegando ao poder, tem sido incansável na criação de mecanismos para entrincheirar suas mazelas, enquanto ações estratégicas são minuciosamente desenvolvidas para interferir no inconsciente coletivo.

Analisadas as últimas cinco décadas da história brasileira, é possà­vel perceber que o paà­s apenas aboliu o uso da farda, mantendo a radicalização como forma de sobrevivência de modelos e ideologias polà­ticas obsoletas.

A estratégia adotada para neutralizar os tropeços escandalosos da troupe de elite do PT coincide com a teoria do escritor francês e membro da Academia Francesa de Letras, Jean D’Ormesson, que em uma de suas obras afirma que o terrorismo intelectual, ainda em ação, “tem construà­do muros de silêncio mais difà­ceis de serem transpostos que o já não existente muro de Berlim”.

Casos como os de Celso Daniel, Waldomiro Diniz e Henrique Meirelles, entre tantos outros, serviriam como farta e quase infindável munição para a esquerda oposicionista brasileira, mas, na situação, atualmente dominada pela esquerda, perde sua força diante da pirotecnia empreendida em atos e decisões que perambulam entre a galhofa e a incompetência.

Escândalos de corrupção continuada são atirados nos calabouços do poder, fazendo do idealismo polà­tico um fosso onde repousam as putrefações palacianas.

Como teatral pano de fundo para o totalitarismo petista, o presidente Lula da Silva adotou, de chofre, o discurso, até certo ponto politicamente correto, de combate à  fome mundial, espécie éter virtual que anestesia e distrai a atenção planetária, enquanto o ideário comunista se encarrega dos últimos retoques na tacada final.

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, significa um imediato rompimento com as instituições que hoje lhe permitem permanecer no poder, mas que certamente convergirá em uma radicalização sem precedentes, a exemplo do que acontece na vizinha Venezuela.

Para emoldurar de forma engalanada suas ações, o presidente brasileiro se aventura em excursões ao Vaticano e a paà­ses pobres, como o atual giro pela àfrica, onde é costumeiramente recebido como se fosse uma reencarnação contemporânea de Messias.

Para compensar os salamaleques que lhe garantem espaço na mà­dia internacional e uma certa dose de acerto sem colateralidade alguma, o pauperismo africano é ludibriado com benevolência polà­tica insipiente, traduzida na doação de alguns milhões de dólares saà­dos do bolso do contribuinte brasileiro, o perdão de dà­vidas que há muito se transformaram em calote e meia dúzia de aviões capengas que fazem a alegria de sanguinários ditadores locais.

Para que o projeto de relançamento do comunismo continue sendo exeqüà­vel, é necessário algo que os esquerdistas de todas as correntes sempre condenaram, mas não se fartam de se lambuzar em seus dividendos: o dinheiro.

A àfrica é um dos poucos redutos terrenos que o capitalismo não se infiltrou de forma definitiva, e o presidente Lula, um misto de fantoche e embaixador do esquerdismo mundial, tenta incutir na cabeça dos nativos, mesmo que tardiamente, a vermelhidão polà­tica que defende e representa, antes que a investida norte-americana no continente seja irreversà­vel.

No contraponto, para neutralizar a ganância polà­tica dos possà­veis adversários de 2006, o Palácio do Planalto abre espaço no governo para os partidos que nem em sonho deveriam estar na base aliada, compensado-os com ministérios e cargos no primeiro escalão do governo.

A ida de Romero Jucá para a pasta da Previdência, por exemplo, faz parte da estratégia luliana de perpetuação no poder, pois, ao trazer à  tona as escaramuças do ministro no âmbito dos empréstimos oficiais, acaba desgastando politicamente o PMDB, que, sem saà­da por não ter realizado algo tão expressivo nos últimos vinte anos, terá de se contentar com a indicação do vice na chapa do presidente Lula, em sua tentativa de reeleição.

Assim, se uma à­nfima, mas corajosa, parcela da imprensa, que à s duras penas resiste ao terrorismo intelectual, continua a criticar os costumeiros desacertos do governo Lula ou de outro qualquer, não pode, em hipótese alguma, ser rotulada como praticante de um jornalismo direitista.

Deve, sim, ser encarada como um reduto patriótico de mentes brilhantes, que faz do próprio ofà­cio não apenas uma forma de reivindicação do melhor para uma nação, mas um escudo resistente para enfrentar aqueles que sonham com a

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