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Debilidades política e econômica limitam presença russa a América Latina

Debilidades política e econômica limitam presença russa a América Latina

31 de março de 2019 - 17:48:11
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Marcelo Rech, especial de Madri

“A presença russa na América Latina é parte de sua estratégia global para socavar o poderio norte-americano na região, mas também para competir como potência com a China”, afirmou a pesquisadora principal do Real Instituto Elcano, da Espanha e professora associada do Russia's Foreign Policy, Mira Milosevich-Juaristi, nesta quinta-feira, 27, ao apresentar o seu estudo sobre a Rússia na América Latina.

Segundo ela, o desaparecimento da então União Soviética no final de 1991, reduziu significativamente a influência de Moscou na América Latina. No entanto, essa influência geopolítica foi recuperando-se entre 1997 e 1999, depois que o Kremlin assumiu que a tentativa de se integrar às instituições ocidentais havia fracassado, e graças em grande medida à relação iniciada com o governo bolivariano da Venezuela.

“Esta situação sofreu uma grande mudança com a chegada ao poder de Vladimir Putin, especialmente a partir de 2008, quando Moscou voltou a investir pesado na região por meio do comércio, investimentos, participação diplomática e, sobretudo, com a venda de armas”, explicou.

Mira Milosevich-Juaristi participou de um debate acerca deste tema, na Casa de América, ao lado do subdiretor-geral de Europa Oriental e Ásia, do ministério de Assuntos Exteriores, Jorge Urbiola, e do analista Carlos Malamud, também do Real Instituto Elcano.

De acordo com a pesquisadora, a influência russa na América Latina é bastante limitada por conta da sua debilidade econômica. Hoje, essa influência estaria concentrada em países como Bolívia, Cuba, Nicarágua e Venezuela. “A presença russa na região é muito mais virtual. As relações com a América Latina pretendem desafiar os Estados Unidos ao estar presente no seu quintal, assim como os Estados Unidos fizeram ao exercer influência na Geórgia e Ucrânia”, explicou.

Na sua avaliação, Moscou não tem uma estratégia especial voltada para a América Latina, “mas uma estratégia internacional em busca da sua condição de potência e de um mundo multipolar. Devido à sua debilidade econômica e limitada capacidade política, impedem que a influência russa vá além dos países clássicos”, enfatizou.

Para Milosevich, “os Estados Unidos e a União Europeia devem centrar os seus esforços nos países-chave da região como Argentina, Brasil, Colômbia e México, para reduzir tensões e frear os meios de comunicação russos em suas tentativas de degradar e desacreditar os sistemas políticos democráticos”, acrescentou.

Brasil e México são os principais parceiros comerciais da Rússia, enquanto que o triângulo do Caribe (Cuba, Nicarágua e Venezuela), com estreitos vínculos políticos e militares com o Kremlin, favorece a penetração geopolítica russa no continente.