Defesa

Integração
21/02/2011
Brasil e Estados Unidos discutem acordos e coopera
22/02/2011

Programa FX2

Decisão sobre caças sairá quando presidente julgar oportuno

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e a ministra das Relações Exteriores e Européias da França, Michèlle Alliot-Marie, conversaram nesta terça-feira sobre o processo de aquisição dos aviões de caça para a Força Aérea Brasileira (FAB).

 

De acordo com Jobim, a presidente Dilma Rousseff vai decidir “no momento que julgar oportuno”.

 

Para o ministro, as restrições atuais, decorrentes dos cortes no orçamento da União, não deixam espaço para uma decisão de curto prazo sobre o projeto FX-2.

 

Nelson Jobim explicou que o contingenciamento na área da Defesa foi de R$ 4,024 bilhões, o que representa redução de 26,5% em relação ao valor total de R$ 15,165 bilhões previsto para investimento e custeio este ano.

 

Ele encaminhou à presidente mensagem embasada em pareceres técnicos com a posição do ministério e dos comandantes da Aeronáutica e Marinha, forças diretamente envolvidas no assunto, sobre a aquisição das aeronaves.

 

Na conversa com Alliot-Marie, Jobim reiterou que a decisão relativa à compra seguirá rito que começa com o envio da mensagem do Ministério da Defesa à presidente da República.

 

A partir daí, Dilma Rousseff convoca o Conselho de Defesa Nacional (CDN) que é o órgão consultivo composto pelos comandantes das três Forças Armadas, pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e ministros de Estado.

 

Caberá ao CDN emitir opinião sobre o tema, mas a última palavra será da presidente.

 

Participam da licitação em curso as propostas das aeronaves Gripen NG (Saab), Rafale (Dassault) e F-18 Super Hornet (Boeing).

 

Transferência tecnológica

 

No encontro com Michèlle Alliot-Marie, Nelson Jobim enfatizou a condição estabelecida pelo Brasil de que a compra das aeronaves contemple a transferência tecnológica e a capacitação nacional.

 

No Itamaraty, a ministra reconheceu a legitimidade do Brasil em adiar a decisão, mas reafirmou seu apoio ao caça Rafale no qual voou quatro vezes.

 

Segundo Alliot-Marie, a França é a única que garante transferência de tecnologia real, o que pode ser constatado no desenvolvimento dos projetos em curso com a construção de submarinos para a Marinha e de helicópteros Super Cougar para as três forças.

Para Nelson Jobim, a licitação envolvendo os caças, não é apenas uma simples compra de equipamento militar, mas a aquisição, pelo Brasil, de um pacote tecnológico que permitirá ao país seu desenvolvimento no setor. “O preço é importante, mas o mais importante é participação nacional”, disse.

 

O ministro confirmou que após a decisão da presidente, seguirão as tratativas entre os representantes da empresa vencedora e do governo brasileiro para formatação das propostas comercial e financeira.

 

Baseado em experiências anteriores, como a do ProSub (programa que prevê a construção de submarinos no Brasil), estima-se que essas tratativas devem durar cerca de um ano.

 

Os efeitos financeiros só deverão impactar o orçamento do ano subseqüente ao da decisão sobre a aquisição.

 

Além do processo de compra dos caças, os ministros trataram de vários projetos e iniciativas comuns na área de Defesa.

 

A ministra francesa manifestou o interesse de seu país de participar de outros projetos no setor de Defesa brasileiro com o compromisso de transferência tecnológica.

 

Segundo ela, “a Defesa é o coração da parceria estratégica entre Brasil e França”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *