Opinião

Energia
12/07/2014
Cooperação
14/07/2014

Estratégia

Declaração da presidente Dilma Rousseff, após reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin

Com enorme satisfação recebo em Brasília, dez anos após sua primeira visita a nosso país, o presidente Vladimir Putin, que se fez presente na Final da Copa do Mundo e participará da 6ª Cúpula dos Brics.

Nossa estratégia e a nossa parceria vêm ganhando cada vez mais dinamismo, como atesta a realização recente de múltiplos contatos de alto nível e o desenvolvimento de diversos projetos de cooperação.

Cumprimentei o presidente Putin pela exitosa organização dos Jogos Olímpicos de Sochi. Brasil e Rússia sempre poderão cooperar na organização dos megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Desde a primeira visita do presidente Putin ao Brasil, em 2004, nosso comércio bilateral mais que dobrou. Concordamos que há necessidade de aumentá-lo e diversificá-lo a fim de atingirmos a meta de 10 bilhões de dólares.

Nesse contexto, saudamos a assinatura hoje do plano de ação da cooperação econômica e comercial. O plano servirá para desenvolvermos iniciativas que possibilitem o aumento recíproco de investimentos diretos.

Transmiti ao presidente Putin as inúmeras oportunidades que se abrem em energia e infraestrutura, áreas nas quais as empresas russas poderão aumentar sua presença no Brasil, especialmente em concessões de petróleo, portos e ferrovias.

Concordamos também em discutir os nossos sócios regionais, perspectivas de cooperação econômica entre o Mercosul e a União Econômica Euroasiática. Nossa parceria não se resume a trocas comerciais. Ressaltamos a importância da cooperação em defesa e em usos pacíficos de energia nuclear. Por esta razão, instruímos nossos negociadores a dar continuidade às negociações para aquisição, pelo Brasil, de unidades do sistema russo de defesa antiaérea. Isso por que buscamos, com a Rússia, uma relação de longo prazo e de benefícios mútuos, seja pela formação de recursos humanos, seja pelo estabelecimento de parcerias industriais e de associação na área de tecnologia.

Nossos países estão entre os maiores do mundo e não podem se contentar, em pleno século XXI, com dependências de qualquer espécie. Os acontecimentos recentes demonstram ser essencial que busquemos, nós mesmos, nossa autonomia científica e tecnológica. Por essa razão, manifestei satisfação pela adesão da Rússia ao programa Ciência sem Fronteiras, bem como pela exitosa cooperação para instalação de estações do sistema russo de navegação por satélite, o Glonass, em território brasileiro.

No que se refere às questões econômicas, reiteramos ser essencial a atuação coordenada de nossos países na agenda do G-20: crescer e dar prosperidade a nossos povos. O mesmo ocorre no que tange à ação ativa de Brasil e Rússia em todas as instituições internacionais, em especial nas econômicas, única maneira de tornar, por exemplo, o FMI um mecanismo realmente multilateral e democrático.

Discutimos a perspectiva de conclusão, na 6ª Cúpula dos Brics, dos acordos para a criação do novo banco de desenvolvimento e do arranjo contingente de reservas. A Rússia expressou seu interesse em participar, cada vez mais, desse estreitamento das relações dentro dos Brics.

Além disso, senhoras e senhores, nós consideramos que a escalada de conflitos em várias partes do planeta ameaça a estabilidade mundial e obriga as organizações multilaterais a serem cada vez mais eficientes. Nessa ordem multipolar é necessário adotar, como prioridade, a resolução consensual e pacífica de conflitos. Cumprimentamos as posições russas a respeito da questão da Síria, em especial do Oriente Médio.

Finalmente, saudamos… aliás, o Brasil saúda, no âmbito regional, o diálogo da Celac com a Rússia, que permitirá reforçar o intercâmbio da região com outros polos do sistema internacional. O Brasil saúda também o apoio e a cooperação da Rússia na resolução da Assembleia-Geral da ONU sobre direito à privacidade na era digital.

Nesse país… aliás, nessa conjuntura e nesse mundo muito complexo, nós, brasileiros, vemos o seu país, presidente Putin, como geopoliticamente integrando também o sul do mundo. Nessa presença da Rússia nos Brics, nós vemos que este sul, que reivindica sua identidade, que se encontrará amanhã e depois nos Brics, aqui no Brasil, aspira um mundo de paz, de desenvolvimento e de justiça social.

Agradeço, presidente Putin, mais uma vez, sua visita. Desejo sucesso à Rússia na organização da Copa de 2008 [2018]. Desejo que nossos países estreitem, cada vez mais, suas relações estratégias nas áreas de energia, nas áreas de defesa, nas áreas de ciência e tecnologia e na infraestrutura.
 

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