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Terrorismo

Declaração de Brasília é desafio para política externa brasileira

Marcelo Rech

Nesta segunda-feira, foi aberto o encontro empresarial que reúne cerca de 800 empresários árabes e sul-americanos. É uma prévia da Cúpula que reúne, pela primeira vez na história, duas regiões tão complexas quanto diferentes.

A iniciativa, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi apresentada aos árabes em 2003. Muitos líderes árabes convidados pessoalmente por Lula ignoraram solenemente o encontro.

Conformá-la é um desafio. Entre presenças e ausências importantes, a diplomacia brasileira já comemora a realização do encontro, que pretende consolidar as relações com o mundo árabe.

Não é à toa que os Estados Unidos estão preocupados. Acreditam que a mensagem a ser transmitida durante o evento, poderá ser problemática. Para os seus interesses, claro!

Depois de ver recusado o pedido para que os Estados Unidos participassem como observadores do encontro, a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, que elogiou a iniciativa brasileira, trabalhou junto aos parceiros árabes para que esvaziassem o encontro.

Seria muita ingenuidade acreditar que os Estados Unidos permitiriam a realização de um encontro dessa envergadura sem deixar suas digitais. Não seria demais imaginar que a ausência do presidente colombiano, Álvaro Uribe, tenha tido motivações em Washington.

De qualquer forma, os resultados dessa Cúpula já podem ser sentidos com o aumento sensível do comércio entre o Brasil e o mundo árabe. O país é responsável por metade dos US$ 8 bilhões do fluxo comercial entre as duas regiões.

Mas, o mais importante está reservado para a Declaração de Brasília. O seu conteúdo político poderá converter-se num dos principais desafios para a política externa brasileira. Há muito que o país deseja exercer um papel protagonista no Oriente Médio.

Tem até mesmo um embaixador itinerante baseado em Ramallah. No documento, haverá espaço para considerações econômico-comerciais e políticas. Diplomatas garantem que a ênfase será para a agenda social, mas não se poderão omitir questões polêmicas e espinhosas como terrorismo, Palestina, Iraque e reforma da ONU.

Também deverá servir para fortalecer o relacionamento Sul-Sul, que favoreceria os países emergentes nas negociações multilaterais, principalmente no âmbito do G-20.

O texto final deverá ser fechado na tarde desta segunda-feira, numa reunião de chanceleres. Vários países brigam para que o termo terrorismo seja excluído do texto.

Não querem confundir o que chamam de defesa nacional, com o que os Estados Unidos entendem por práticas terroristas. Por trás dessa preocupação, está o interesse dos participantes em condenar a ocupação israelense na Palestina.

Como era de se esperar, os Estados Unidos trabalham à distância e nos bastidores para que o terrorismo seja condenado de acordo com seus interesses no mundo árabe.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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