Brasília, 20 de outubro de 2019 - 01h53
Defesa Antiaérea contará com radar único para a proteção do país

Defesa Antiaérea contará com radar único para a proteção do país

04 de outubro de 2019 - 10:58:27
por: Marcelo Rech
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Brasília – O espaço aéreo brasileiro contará com um radar único no mundo para a sua proteção e que está sendo desenvolvido pelo Exército no âmbito dos seus programas estratégicos de defesa com foco em alta tecnologia e autonomia. Nesta quarta-feira, 2, em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, o chefe do Escritório de Projetos do Exército, general Ivan Ferreira Neiva Filho, discorreu sobre o programa de Defesa Antiaérea.

Na oportunidade, ele afirmou que o programa de Defesa Antiaérea integra as três Forças Armadas e compreende uma série de sistemas de controle, alerta, radares e comunicações. “É um sistema de sistemas. Na verdade, existem diversos sistemas que são integrados para conseguirmos proteger os nossos ativos, a nossa infraestrutura, o nosso território de uma possível incursão inimiga. E cada vez mais é uma vulnerabilidade que nós temos que fazer face, porque as ameaças existem”, assegurou.

De acordo com o militar, o Brasil estava defasado nessa área de defesa e, por meio do programa, está tentando recuperar a capacidade de se defender contra ataques aéreos. Para tanto, o país utiliza o radar M 60, fundamental para o sistema de defesa de baixa altura. O equipamento foi desenvolvido e desenhado e tem sido construído em Campinas (SP).

Outro radar que, em um ou dois anos, será utilizado pelo país é o M 200, que alcança 200 quilômetros de distância e tem uma tecnologia altamente sofisticada, destacou o general. Segundo ele, “pouquíssimos países têm essa capacidade de ter um radar com essa configuração. Talvez, deste modelo, com essa mobilidade, da forma como nós estamos desenhando e com esse protótipo, seja o único no mundo. Isso vai nos trazer um ganho de qualidade, de possibilidade, não só de emprego tático, mas também é um desenvolvimento tecnológico novo, é uma possibilidade de exportação, de emprego e renda, extremamente relevante”, explicou.

Todo o programa de Defesa Antiaérea está planejado para ser concluído em 2039 e precisaria de cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, ou seja, R$ 110 milhões por ano. No entanto, o general afirmou que o orçamento destinado ao Exército está na casa dos R$ 30 milhões anuais.

Fronteiras

O general explicou ainda que a defesa das fronteiras tem sido feita pelo Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). Ele afirmou que o Exército está usando tecnologia de ponta para monitorar 650 quilômetros de fronteira, entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, mas que esse sistema precisa ser expandido, afinal são 17 mil quilômetros de fronteira no total.

“Os resultados são extremamente relevantes, o que está gerando um problema para outra área, porque o que trafegava por ali em termos de crime está se deslocando para outros locais. Por isso nós estamos expandindo o SISFRON agora. O SISFRON vai continuar para o resto do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, vai descer para Paraná e Santa Catarina e está indo para a Amazônia. Talvez seja o maior esforço gerencial que o Exército já fez em sua história: a contratação da expansão do SISFRON”, destacou.

O chefe do Escritório de Projetos do Exército aproveitou para reforçar a importância da indústria de Defesa. Ivan Ferreira Neiva Filho lembrou estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrando que cada real investido em defesa movimenta R$ 3,66. Neste sentido, afirmou que o país deveria investir em defesa para alavancar a economia. Na sua avaliação, a indústria brasileira tem crescido muito com a decisão do Exército de desenvolver a própria tecnologia de defesa e vários produtos têm sido utilizados em outras áreas.